Small caps podem brilhar na Bolsa com ajuste fiscal e juros menores, diz Caio Megale, da XP

O economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, brincou que “tudo pode acontecer” no segundo turno e que certamente “alguém sairá eleito presidente das urnas” no próximo domingo (25). A declaração foi feita durante a inauguração da Casa Clear, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo (SP). A fala ocorre após pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (22) apontar empate numérico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ambos com 50% dos votos válidos. : Pesquisa Datafolha: Flávio Bolsonaro e Lula empatam com 50% no segundo turno Segundo Megale, as eleições são marcadas por incertezas sobre a composição da equipe econômica e a política econômica adotada pelo próximo governo, além do cenário internacional. As primeiras sinalizações do presidente eleito, porém, devem influenciar o mercado já a partir de segunda-feira (26). “Dependendo de quem ganhar e das primeiras sinalizações econômicas, o mercado pode reagir bastante para um lado ou para o outro”, avaliou. Ao analisar o cenário global, Megale destacou que os gastos públicos aumentaram em diversos países desde a pandemia. Diante da pressão sobre as contas, os governos têm adiado ajustes fiscais, que podem envolver cortes de despesas ou aumento de impostos. “Quando tem um problema fiscal, o que você pensa em fazer: cortar gastos ou aumentar imposto para equilibrar as contas públicas. Só que nenhum governo gosta de fazer isso, não é só o Brasil que não gosta de fazer um ajuste fiscal, ninguém gosta de fazer isso”, disse. O aumento da demanda por crédito, inclusive por empresas de tecnologia ligadas à inteligência artificial (IA), também pressiona os juros. Segundo estimativas da XP citadas por Megale, os investimentos em data centers devem atingir US$ 1,4 trilhão em 2027. Apesar das incertezas geopolíticas, o economista considera que a alta dos preços de commodities agrícolas, energéticas e metálicas favorece o Brasil, que reúne ampla oferta dessas matérias-primas. “Este ano o Brasil deve bater recorde de exportações, porque está vendendo o que o mundo inteiro precisa”, afirmou. “Então, apesar de o cenário internacional estar volátil, incerto e com juro alto, o Brasil está bem posicionado.” Hora das small caps brilharem Para Megale, um ajuste fiscal capaz de conter o crescimento dos gastos públicos e abrir espaço para a queda dos juros pode impulsionar a Bolsa brasileira, especialmente as ações de empresas menores, conhecidas como small caps. O economista avalia que o Brasil arrecada em níveis recordes, mas continua enfrentando dificuldades fiscais, o que reforça a necessidade de controlar as despesas sem recorrer a novos aumentos de impostos. “Se nós fôssemos uma empresa, seríamos uma empresa com recorde de faturamento. Só que com prejuízo”, afirmou. Para ele, quando uma companhia tem receitas elevadas, mas não gera lucro, o problema tende a estar nos gastos. Megale observa que assessores econômicos ligados tanto a Flávio Bolsonaro quanto a Lula reconhecem a necessidade de ajuste fiscal. O desafio será transformar esse diagnóstico em medidas concretas, com apoio do Congresso Nacional. “Falar alguma coisa e reconhecer uma coisa é uma coisa; executar é outra”, disse, ressaltando que o compromisso do próximo governo com o controle das despesas será determinante para a reação dos mercados. Na avaliação do economista, os juros brasileiros estão elevados também em comparação com os padrões internacionais. Uma melhora das perspectivas fiscais poderia reduzir as taxas e favorecer as ações, já que juros menores tornam os lucros futuros das empresas mais valiosos na avaliação dos investidores. “Se o governo tiver a capacidade de dar uma sinalização fiscal que reduza as taxas de juros, automaticamente as bolsas vão reagir, especialmente as small caps”, afirmou. O movimento, contudo, depende da credibilidade das medidas adotadas pelo próximo governo. Sem controle consistente das despesas, o espaço para a redução dos juros pode ser limitado. Já o câmbio, por outro lado, deve ficar um pouco de lado no curto prazo, na avaliação do economista, visto que está na casa dos R$ 5,10 independentemente dos acontecimentos domésticos recentes. Segundo Megale, o real pode se favorecer mais de movimentos globais da moeda norte-americana, por ora.

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