Nesta segunda-feira (26), o Ibovespa (IBOV) encerrou o pregão com uma queda de 13,88%, atingindo 176.608,23 pontos, o menor patamar desde 31 de agosto. O movimento de baixa, considerado o pior desempenho diário em seis anos, ocorreu após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário Flávio Bolsonaro, uma diferença de mais de 4,3 milhões de votos. O resultado surpreendeu as expectativas do mercado, que via Bolsonaro como mais alinhado. Nos primeiros minutos do pregão, um circuit breaker foi acionado, o primeiro desde março de 2020. Simultaneamente, o dólar à vista valorizou 0,92%, fechando o dia a R$ 5,4029. A reação do mercado foi um "movimento generalizado de liquidação na bolsa", conforme Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, refletindo a cautela dos investidores em relação às futuras diretrizes econômicas e fiscais do país. Rafael Dadoorian, da Convexa Investimentos, apontou que a reprecificação dos ativos se deve a preocupações com a trajetória fiscal e o crescimento da dívida pública. Apenas empresas exportadoras se beneficiaram da valorização do dólar, com Suzano (SUZB3) liderando as altas em 10,08%, seguida por Embraer (EMBJ3), WEG (WEGE3), Vale (VALE3), Klabin (KLBN11), Bradespar (BRAP4), Gerdau (GGBR4) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4). No lado negativo, Magazine Luiza (MGLU3) registrou a maior queda, de 58,23%. Petrobras (PETR4; PETR3), que representa cerca de 13,5% do índice, recuou 8,18% (PETR4) e 6,81% (PETR3), impactada pelo cenário doméstico e pela queda dos preços do petróleo. O Índice Financeiro (IFNC) despencou 22,48%, em um dia de disparada da curva de juros nos vencimentos de médio e longo prazos, que subiu mais de 2 pontos percentuais. Os índices de Wall Street, por sua vez, encerraram em alta.
As próximas semanas serão cruciais para a definição das diretrizes econômicas e fiscais do novo governo, especialmente no que tange à composição da equipe econômica e às primeiras sinalizações sobre a gestão da dívida pública e os gastos. A reação do mercado dependerá da clareza e da credibilidade das propostas apresentadas, que ainda não têm data para serem divulgadas.
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