Os acionistas majoritários do jornal italiano Il Fatto Quotidiano rejeitaram uma proposta de aquisição apresentada por Leonardo Maria Del Vecchio, herdeiro do falecido fundador da EssilorLuxottica, fabricante dos óculos Ray-Ban, com quem o jornal mantém um conflito público. O empresário de 31 anos já possui participações relevantes no setor de mídia italiano por meio de sua holding endividada LMDV, que detém 30% do jornal Il Giornale, anteriormente pertencente à família Berlusconi, além do controle da rede de jornais regionais QN. Del Vecchio afirmou no domingo (25) que pretendia realizar uma auditoria prévia antes de apresentar uma oferta voluntária para fechar o capital da Società Editoriale Il Fatto (SEIF), proprietária do Il Fatto Quotidiano e listada na Bolsa de Milão. Os sete acionistas fundadores da empresa, incluindo o diretor de redação do Il Fatto, Marco Travaglio, responderam em comunicado divulgado na noite de domingo que não tinham interesse em vender suas participações. Juntos, eles detêm o controle acionário da companhia. Del Vecchio mantém um conflito público com o Il Fatto e frequentemente critica a cobertura do jornal. Em uma publicação na rede social X, em 22 de outubro, acusou o veículo de promover uma “campanha difamatória” e chamou seus profissionais de “ratos do jornalismo”. Nesta segunda-feira (26), porém, o empresário afirmou que pretendia preservar a reputação de independência e jornalismo investigativo do veículo, concentrando seus esforços apenas na recuperação financeira do negócio, que opera no prejuízo. “O Il Fatto escreveu extensivamente sobre nós, inclusive de maneira crítica”, afirmou. “Esse é precisamente o tipo de jornalismo que queremos proteger. Não estamos pedindo que ninguém mude sua opinião sobre nós. Estamos apenas pedindo que considerem um projeto que garantiria o futuro do jornal.” A SEIF tinha valor de mercado de aproximadamente 5,5 milhões de euros (US$ 6,16 milhões) no fechamento de sexta-feira (23). O herdeiro da Ray-Ban, que está envolvido em uma disputa pela herança relacionada ao controle da holding familiar Delfin e já entrou em conflito com o diretor-presidente da EssilorLuxottica, Francesco Milleri, tornou-se uma das figuras mais extravagantes do mundo empresarial italiano. No início deste mês, ele ganhou destaque na imprensa ao participar do podcast Pulp, apresentado por um rapper e um youtuber, no qual falou sobre seus problemas anteriores com dependência de drogas e se gabou de ter mantido relações sexuais com mais de 2 mil mulheres. Leonardo Maria Del Vecchio, herdeiro do falecido fundador da EssilorLuxottica Reuters/Remo Casilli/Foto de Arquivo
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