Bradesco (BBDC4) lucra R$ 7,1 bi, mas outra conta preocupa os bancos

Bradesco (BBDC4) lucra R$ 7,1 bi, mas outra conta preocupa os bancos Os grandes bancos brasileiros continuam movimentando bilhões, mas os lucros já não são suficientes para tranquilizar os investidores. A temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 começou mostrando que a principal preocupação dos analistas está em outro lugar: na qualidade dos empréstimos e no dinheiro que as instituições podem deixar de receber. O Bradesco (BBDC4) abriu a temporada com lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões, crescimento de 14,6% em um ano. Apesar do avanço, a inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,6%, enquanto as despesas com provisões para perdas alcançaram R$ 10,6 bilhões. O resultado expôs uma combinação delicada: o banco consegue ampliar seus negócios, mas precisa gastar mais para se proteger de possíveis calotes. A preocupação ganhou força nesta quarta-feira (28), quando o Santander (SANB11) divulgou lucro recorrente de R$ 2,9 bilhões, queda de 28% na comparação anual. Mesmo reduzindo despesas e adotando critérios mais seletivos na concessão de crédito, o banco viu sua rentabilidade recuar para 11,9%. Quer investir com mais estratégia, mesmo quando os balanços surpreendem? A Black Friday da Suno terá uma live gratuita em 04/11, às 20h, com bônus exclusivos para investidores. Garanta sua vaga! Santander (SANB11) reforça alerta sobre o crédito Em relatório publicado nesta quarta, a XP avaliou que o balanço do Santander ficou ligeiramente acima de suas próprias expectativas, mas não trouxe sinais suficientes de uma recuperação consistente. O lucro superou em 4% a projeção da casa, embora tenha ficado abaixo do consenso mais amplo do mercado. A dificuldade está na própria estratégia de recuperação. Ao reduzir a exposição a clientes de maior risco, o Santander busca melhorar a qualidade de sua carteira, mas também abre mão de operações que costumam oferecer margens mais elevadas. Com isso, a margem financeira caiu 2,5% em relação ao trimestre anterior, enquanto a inadimplência acima de 90 dias chegou a 3,4%. Rafael Reis, analista do BB Investimentos, classificou o desempenho como um “resultado que consideramos misto e ainda pouco inspirador”. A instituição reduziu seu preço-alvo para SANB11 de R$ 31,60 para R$ 29,50, mantendo recomendação neutra. O Bradesco enfrenta um desafio diferente. Sua recuperação operacional continua, mas o crescimento do crédito exige atenção às perdas potenciais. Em análise divulgada após o balanço, o Safra destacou que a disciplina de despesas ajudou a sustentar o resultado, embora a deterioração da carteira tenha elevado o custo do risco. Itaú (ITUB4) pode se destacar, enquanto Banco do Brasil (BBAS3) preocupa Com os dois primeiros balanços conhecidos, as atenções se voltam ao Itaú (ITUB4), que apresenta seus números em 3 de novembro, e ao Banco do Brasil (BBAS3), previsto para 11 de novembro. Entre os grandes bancos, o Itaú aparece como o mais resiliente nas avaliações de XP, BTG e Safra. A expectativa é de que a instituição consiga preservar sua rentabilidade por meio de uma carteira de crédito mais equilibrada, maior eficiência e controle de custos. O Safra projeta lucro recorrente de aproximadamente R$ 12,5 bilhões no trimestre. O cenário do Banco do Brasil é menos favorável. A exposição ao agronegócio, especialmente às operações com pagamentos em atraso, continua sendo um dos principais riscos. O BTG já havia alertado para a possibilidade de novas provisões elevadas e revisão das projeções da companhia. O que os analistas esperam dos bancos? Em relatório publicado na terça-feira (27), após a divulgação do Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central, a XP observou que o sistema bancário brasileiro mantém níveis confortáveis de capital e liquidez, mas ainda enfrenta deterioração na qualidade do crédito. O aumento do endividamento das famílias, a pressão sobre pequenas e médias empresas e a necessidade de provisões adicionais devem continuar influenciando os balanços dos próximos trimestres. Isso ajuda a explicar por que instituições com resultados aparentemente positivos podem receber avaliações cautelosas. Mais importante do que o tamanho do lucro é entender quanto custa gerá-lo e se a rentabilidade pode ser preservada.

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