Autodeclarado como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” nesta quarta-feira (28), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não tem o respaldo de seu partido, do vice na chapa presidencial nem de aliados ao questionar o resultado das urnas. O PL, o vice Alfredo Gaspar (PL-RN), governadores e parlamentares bolsonaristas reconheceram a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (25). Para o PT, Flávio tornou-se o “Guaidó Tupiniquim”, ao fugir para os Estados Unidos e dizer que é o eleito. Na tarde desta quarta-feira, Flávio divulgou uma carta com conteúdo golpista, acusou “fraude eleitoral” e disse que é o “verdadeiro presidente eleito”. Depois, mudou o texto duas vezes: na primeira mudança, tirou o “eleito” e afirmou que é o “verdadeiro presidente do Brasil”. Na segunda, disse à comunidade internacional que é o “líder do Brasil”. Antes dessas três alterações, o influenciador Paulo Figueiredo, que articulou com Flávio a carta, divulgou uma versão com um brasão do Brasil com a frase “Estados Unidos do Brazil”. No documento, Flávio criticou a prorrogação do horário de votação e disse que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não deu “uma única resposta crível” para essa ação. No entanto, a própria coligação de Flávio pediu à Justiça Eleitoral a prorrogação do horário, por conta da falta de transporte público em algumas cidades. Entre as principais cidades com a frota de ônibus reduzida no domingo, prejudicando o deslocamento dos eleitores, estão São Paulo e Salvador. As duas cidades são comandas por aliados de Flávio e os prefeitos da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), e da capital baiana, Bruno Reis (União), fizeram campanha para o senador. O número de votos depois das 17h, no entanto, foi de 34.393 em todo o território nacional, segundo o TSE. Lula venceu por 51,79% dos votos a 48,21% de Flávio, e teve 4,43 milhões de votos a mais. Assim que foi declarada sua derrota, Flávio disse que pediria a anulação das eleições. O PL, no entanto, afirmou reconhecer o resultado presidencial. O vice na disputa pela Presidência também reconheceu a vitória de Lula. “Nossas bandeiras continuam aí e nós não vamos desistir do Brasil”, afirmou. Aliados não respaldam Flávio Aliados de Flávio como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também reconheceram o resultado da disputa presidencial, com a vitória de Lula, e disseram que a eleição passou. Depois da carta de Flávio, o governador reiterou, em entrevista ao Estadão, que é preciso respeitar o resultado das urnas e seguir em frente. Republicanos, União Brasil, PSD e MDB, entre outros partidos, também reconheceram a vitória de Lula. Em nota, o União Brasil reafirmou que a "democracia é, para o partido, um valor inegociável". "Ela não depende de quem vence ou perde uma eleição, mas do compromisso de todos com o veredito das urnas", afirmou na nota. "A eleição de 25 de outubro transcorreu com lisura e o seu resultado deve ser respeitado", disse o partido. "Neste momento, é essencial que as instituições sejam maiores que as pessoas. Passada a eleição, é hora de encerrar a disputa e pensar nos enorms desafios que se colocam diante do nosso país. A eleição terminou. O Brasil continua e precisa de todos nós", afirma o União, em nota assinada pelo presidente do partido, Antonio Rueda. O MDB reafirmou, em nota, "sua total confiança no sistema eleitoral e, portanto, na legitimidade do resultado do pleito do último domingo". ‘Guaidó Tupiniquim’ O PT ironizou a fuga e o discurso golpista de Flávio. “Brazil? Com z?”, disse o secretário nacional de comunicação do partido, Éden Valadares, em publicação no X. “Eu não sei se todo mundo reparou, mas o discurso golpista do Guaidó Tupiniquim vem com um brasão da República tão fake que está escrito Brazil. Sim! Com Z!”, afirmou. Na carta divulgada, Flávio se comparou a Juan Guaidó, opositor ao regime chavista que se autodeclarou presidente da Venezuela em 2019, em contraponto a Nicolás Maduro. Ex-presidente do PT e ex-ministra, a deputada Gleisi Hoffmann (PR) criticou Flávio e disse que ele fugiu para os Estados Unidos para não responder pelos crimes pelos quais está sendo investigado. “Quem preparou sua fuga? De quem é e quem pagou a conta do avião que o transportou? Com que recursos vai viver nos EUA? A começar pelo financiamento da fuga, já se vê que não é sério.” Valdemar Costa Neto, presidente do PL Evandro Macedo/ LIDE
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