Quem é Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro e maior apostador em bets no Brasil?

O advogado Willer Tomaz é amigo pessoal do senador e candidato à presidente da República Flávio Bolsonaro (PL). Ambos afirmam que a relação é pessoal e negam manter vínculos comerciais. Tomaz é proprietário do escritório Willer Tomaz Advogados Associados e tem parceria com Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça de Dilma Rousseff, no escritório Aragão e Tomaz. Ele tem negócios nos setores imobiliário, de aviação e de comunicação. É proprietário do Sistema Difusora de Comunicação, no Maranhão, com televisão e rádios. Na advocacia, Tomaz atuou na defesa da Eldorado Brasil Celulose, do grupo J&F, no âmbito da Operação Greenfield, que investigava irregularidades em investimentos de fundos de pensão, e representou o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) em tribunais superiores. Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro Reprodução Redes Sociais Relação com políticos Com tráfego em Brasília, ele também mantém fortes laços com o senador Weverton Rocha (PDT). Com Flávio, há viagens em conjunto e convivência familiar pública. Com Weverton, além da amizade, a relação também é profissional, com Willer Tomaz atuando em processos defendendo o senador. Em agosto deste ano, uma foto encontrada pela PF no celular de Weverton Rocha e revelada pela revista piauí mostra uma confraternização na piscina do Rancho Tomaz, propriedade do advogado em Planaltina. Entre os presentes estavam Arthur Lira, então presidente da Câmara, Juscelino Filho, então ministro das Comunicações, Alexandre Ramagem, Elmar Nascimento, Paulo Azi e o próprio Weverton. Foto encontrada pela Policia Federal PF no celular do Senador Weverton Rocha com um grupo de políticos reunido em uma piscina na propriedade do advogado e empresário Willer Tomaz, em Planaltina, no Distrito Federal. Aparecem na foto Efraim Filho, Arthur Lira, Paulo Azi, Juscelino Filho, Weverton Rocha, Elmar Nascimento, Angelo Coronel, Alexandre Ramagem, Willer Tomaz e Diogo Coronel entre outros. Foto: Divulgação Divulgação O encontro foi organizado por meio de um grupo de WhatsApp chamado “Grupo Seleto”, e a fotografia teria sido tirada em 23 de abril de 2023. Na época, o nome de Tomaz chegou a ser cotado para uma vaga do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reservada à Câmara. A indicação sofreu resistências e não prosperou. Suspeito de lavagem de dinheiro com bets Tomaz está em um novo inquérito da PF, enviado no início desta semana ao STF, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro que envolve também Flávio Bolsonaro. A investigação começou no Rio Grande do Sul para para apurar o uso de casas de apostas virtuais para lavagem de dinheiro e evasão de divisas, mas levou à exploração de apostas esportivas no Rio de Janeiro. Segundo o relatório, há “elementos indicativos de vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto”, empresa do setor. Na terça (20), uma nota técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, apontou que Tomaz movimentou R$ 5 bilhões em bets em 2025, com R$ 258 milhões depositados na Foggo, empresa responsável pela Blaze. Isso dá a ele, segundo a pasta, o título de brasileiro que mais fez depósitos em apostas online no ano passado. O montante de R$ 5 bilhões não corresponde ao total de recursos efetivamente depositados na plataforma, mas sim a soma de depósitos e a reutilização de ganhos em novas apostas. Além da suspeita de lavagem de dinheiro, a Polícia Federal investiga se Tomaz não seria um sócio oculto da Blaze e de outras empresas que administram bets. Willer nega relação societária ou comercial com a plataforma. Alvo de operações Willer Tomaz já foi alvo de duas operações federais: A primeira foi em 2017, a Operação Patmos, da PF, em um desdobramento da Lava Jato. Em maio aquele ano, ele foi preso preventivamente sob a suspeita de intermediar pagamentos a um procurador para obter informações sigilosas e interferir nas investigações da Greenfield, relacionadas ao grupo J&F. O MPF o denunciou por corrupção ativa, violação de sigilo e obstrução de investigação de organização criminosa. A prisão foi revogada em agosto de 2017 e, em 2021, o TRF1 rejeitou a denúncia por falta de justa causa, entendendo que as delações não tinham corroboração suficiente. A segunda, neste ano, foi a Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. A etapa investigava suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao esquema de descontos indevidos do INSS, incluindo movimentações financeiras e patrimoniais. A defesa negou envolvimento e afirmou que a busca decorria da propriedade de uma aeronave utilizada pelo senador Weverton Rocha. Ainda, nesta semana, uma outra operação da PF envolve Tomaz sem tê-lo como alvo de mandado. Tratou-se de um mandado de busca contra Humberto Pradera, o ex-secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por suspeita de vazar informações internas de processos da corte ao advogado. Nesta linha de investigação, a PF identificou em dados da nuvem de Willer Tomaz que ele teria recebido informações de processos do STJ por intermédio de Pradera. : PF afirma que Willer Tomaz era 'hub financeiro' do senador Weverton Rocha Pradera foi exonerado do STJ na última sexta-feira (16) por determinação do presidente do tribunal, Luis Felipe Salomão, após o caso ser revelado pelo UOL. Em nota, Salomão afirmou que já havia determinado apuração do caso internamente. Procurados, o ex-secretário e a campanha de Flávio não comentaram o caso. Tomaz negou irregularidades por nota: “O advogado Willer Tomaz nega categoricamente ter tido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais ou a pareceres do Ministério Público Federal, bem como ter interferido em qualquer manifestação. As insinuações são falsas, configuram desinformação e revelam desconhecimento elementar, ou deliberada distorção, do funcionamento dos tribunais.”

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