Preço dos alimentos disparou 56,6% na gestão Bolsonaro; veja comparação com Lula

A inflação dos alimentos avançou em ritmo mais acelerado durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) do que na atual gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) sobre o custo de vida na cidade de São Paulo. A comparação voltou ao centro do debate político às vésperas das eleições presidenciais de 2026, quando o impacto da alta dos preços no poder de compra das famílias passou a integrar as discussões entre os candidatos. De acordo com os dados publicados pela coluna Vaivém das Commodities, da Folha de S.Paulo, os alimentos acumularam alta de 56,6% entre janeiro de 2019 e dezembro de 2022. Já no terceiro mandato de Lula, a elevação chegou a 16,7% até setembro de 2026, considerando o período iniciado em janeiro de 2023. A diferença também aparece no ritmo médio mensal de encarecimento. Durante o governo Bolsonaro, a taxa foi de aproximadamente 0,94%, ante 0,44% na gestão Lula, conforme a análise divulgada em outubro. A comparação, porém, exige atenção: os períodos têm durações diferentes, e a estimativa de fechamento de 2026 ainda depende do comportamento dos preços nos meses seguintes. : Pé-de-Meia tem nova rodada de pagamentos pela Caixa; confira quem tem direito Quanto os alimentos ficaram mais caros nos dois governos? Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital Os números mostram que a inflação acumulada foi significativamente maior entre 2019 e 2022. Naquele período, os consumidores enfrentaram uma sequência de pressões sobre os preços, especialmente durante a pandemia de Covid-19 e a escalada dos custos internacionais de matérias-primas agrícolas. No governo Lula, a alta acumulada até setembro de 2026 foi menor, mas isso não significa que os preços tenham retornado aos níveis anteriores. A inflação mede a variação dos valores ao longo do tempo: quando um alimento fica mais caro, uma desaceleração posterior não elimina automaticamente os aumentos já registrados. A análise da Fipe tem como referência o município de São Paulo. Por isso, os percentuais não devem ser interpretados como uma medição idêntica do custo da alimentação em todas as cidades brasileiras, onde fatores como logística, produção regional e condições de oferta podem provocar diferenças. Segundo a publicação, uma projeção que considera novos aumentos até dezembro de 2026 poderia elevar a inflação acumulada dos alimentos no atual governo para aproximadamente 23,7%. Esse número é uma estimativa, e não um resultado fechado do período. Pandemia e guerra na Ucrânia pressionaram a alimentação A alta dos alimentos durante o governo Bolsonaro ocorreu em meio a mudanças importantes na economia mundial. A pandemia de Covid-19 afetou cadeias produtivas, transporte, comércio internacional e disponibilidade de insumos, criando dificuldades para a produção e a distribuição de mercadorias. Em fevereiro de 2022, a invasão da Ucrânia pela Rússia agravou as pressões sobre o mercado internacional de commodities agrícolas. Os dois países têm participação relevante no comércio de grãos, enquanto a Rússia também é uma importante fornecedora de fertilizantes. O encarecimento de combustíveis, fretes e insumos agrícolas pode chegar ao consumidor por diferentes caminhos. Quando produzir, transportar ou processar um alimento fica mais caro, parte desses custos pode ser incorporada ao preço final, dependendo das condições de mercado. No período seguinte, os preços continuaram sujeitos a fatores internacionais e domésticos. Câmbio, demanda externa, condições climáticas, tamanho das safras e custos de produção influenciam o valor de produtos vendidos nos supermercados e feiras. Picanha subiu 52% no governo Bolsonaro e 22% no governo Lula A carne bovina é um dos principais símbolos do debate sobre o custo da alimentação no Brasil. A picanha, em particular, ganhou projeção política durante a campanha presidencial de 2022, quando Lula associou o acesso ao corte à recuperação do poder de compra da população. Segundo os números da Fipe divulgados pela Folha, a picanha acumulou alta de 52% durante o governo Bolsonaro. Na gestão Lula, o aumento chegou a 22% até setembro de 2026, resultado inferior ao registrado no mandato anterior, mas ainda expressivo para o consumidor. A carne bovina em geral também ficou mais cara nos dois períodos. O levantamento aponta elevação de 67% entre 2019 e 2022 e de 27% entre janeiro de 2023 e setembro de 2026. A demanda internacional pela carne brasileira é um dos fatores que ajudam a explicar essa dinâmica. As exportações podem influenciar a disponibilidade do produto no mercado interno, embora os preços também dependam do volume produzido, do ciclo pecuário, dos custos e da procura dos consumidores brasileiros. Batata e óleo de soja tiveram aumentos expressivos entre 2019 e 2022 Os dados da Fipe indicam que a pressão sobre o orçamento das famílias durante o governo Bolsonaro não ficou restrita à carne. Produtos básicos, como cebola, batata, feijão, óleo de soja, fubá e café em pó, registraram aumentos acumulados expressivos. Entre os exemplos citados no levantamento, a batata teve alta de 189%, enquanto o óleo de soja subiu 164%. Na prática, um produto que custava R$ 10 no início do período passaria a custar R$ 28,90 após uma elevação de 189%, sem considerar diferenças de marca, qualidade ou estabelecimento. A dimensão desses aumentos ajuda a explicar por que a inflação alimentar afeta de maneira tão direta a vida cotidiana. Ao contrário de despesas que podem ser adiadas, a compra de comida ocupa uma parcela essencial do orçamento doméstico. Quando os alimentos sobem acima da capacidade de compra das famílias, os consumidores podem trocar marcas, reduzir quantidades, substituir proteínas ou deixar de comprar determinados itens. Essas adaptações permitem administrar as despesas, mas podem comprometer a variedade da alimentação. Café, leite e arroz estão entre os itens que pressionam os preços no governo Lula Na atual gestão, o levantamento aponta aumentos importantes em produtos como café, leite, verduras e feijão, além das refeições consumidas fora de casa. O café acumulou alta de 48% entre janeiro de 2023 e setembro de 2026, enquanto o leite longa vida subiu 24%. O arroz apresentou elevação acumulada de 11% no mesmo período, embora tenha registrado uma nova pressão de preços nas semanas anteriores à divulgação da análise. Segundo os números citados pela coluna, o arroz ficou 5,5% mais caro nos 30 dias mais recentes considerados pelo levantamento. A variação de curto prazo não significa necessariamente que a mesma tendência continuará nos meses seguintes, já que os preços podem mudar conforme a oferta, a demanda e as condições de produção. Os dados mais recentes também reforçam que a inflação dos alimentos não avança de maneira uniforme. Enquanto determinados produtos ficam mais caros, outros podem apresentar estabilidade ou queda, dependendo da época do ano e das condições de mercado. Por que a inflação dos alimentos pesa tanto no orçamento das famílias? A alimentação tem uma característica que torna seus aumentos especialmente perceptíveis: é uma despesa recorrente e difícil de eliminar. Mesmo quando a inflação geral desacelera, a alta acumulada dos alimentos pode continuar pressionando a renda disponível para pagar aluguel, transporte, energia e outras contas. O efeito varia conforme a renda familiar. Famílias com orçamento mais limitado tendem a destinar uma parcela maior dos recursos à alimentação, o que reduz a margem para absorver aumentos sem alterar o padrão de consumo. Também é necessário distinguir inflação menor de redução de preços. Se o preço de um produto sobe 20% em determinado período e depois permanece estável, ele continua custando mais do que antes, apesar de não haver uma nova alta. Por isso, avaliar o custo de vida exige observar tanto o ritmo atual da inflação quanto o nível de preços acumulado. Essa diferença ajuda a compreender por que os consumidores ainda podem sentir dificuldades no supermercado mesmo quando os índices indicam uma desaceleração. O que os dados indicam para os próximos meses? Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital O comportamento dos alimentos até o fim de 2026 dependerá de fatores como condições climáticas, oferta agrícola, custos de transporte, mercado internacional e demanda por produtos brasileiros. Alterações nesses elementos podem acelerar ou aliviar a pressão sobre os preços. A comparação divulgada pela Fipe aponta um ritmo médio de encarecimento inferior no governo Lula em relação ao período Bolsonaro. Ainda assim, os aumentos acumulados durante os dois mandatos continuam relevantes para avaliar o poder de compra da população. Para acompanhar a evolução do custo da alimentação, o consumidor pode consultar os indicadores da Fipe, que acompanha os preços na cidade de São Paulo, e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação brasileira. Os indicadores têm metodologias e abrangências diferentes, por isso seus resultados não devem ser comparados sem considerar o período analisado e a cesta de produtos pesquisada. A leitura conjunta desses dados permite entender melhor quais itens estão pressionando o orçamento e se a alta dos preços está perdendo força. Conclusão A comparação dos preços dos alimentos nos governos Bolsonaro e Lula mostra que o ritmo de encarecimento foi mais intenso entre 2019 e 2022, enquanto a alta acumulada na gestão atual foi menor até setembro de 2026, segundo os dados da Fipe. Apesar da diferença, produtos essenciais, como carne bovina, café e leite, continuam pressionando o orçamento das famílias brasileiras. O impacto da inflação, porém, não se resume aos percentuais acumulados. Mesmo quando os preços passam a subir mais lentamente, os aumentos anteriores continuam afetando o poder de compra da população. Por isso, acompanhar a evolução dos indicadores e as mudanças no custo dos alimentos é fundamental para compreender as condições econômicas do país e os desafios enfrentados pelos consumidores. O post Preço dos alimentos disparou 56,6% na gestão Bolsonaro; veja comparação com Lula foi publicado originalmente em Seu Crédito Digital. A reprodução não autorizada deste conteúdo é proibida e monitorada. O post Preço dos alimentos disparou 56,6% na gestão Bolsonaro; veja comparação com Lula apareceu primeiro em Seu Crédito Digital.

CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real