Ações da WEG (WEGE3) caem 5% após lucro de R$ 1,66 bilhão no 3T26; o que desagradou?

As ações da WEG (WEGE3) operam na ponta negativa do Ibovespa (IBOV) no pregão desta quarta-feira (21), após a companhia reportar um balanço pior do que o esperado referente ao terceiro trimestre de 2026. O mercado já monitorava eventuais impactos do aumento nos custos de cobre, aço e alumínio, além de um câmbio ainda desfavorável e dos impactos das tarifas implementadas por Donald Trump nos Estados Unidos, que poderiam continuar pressionando a comparação anual. A companhia reportou lucro líquido de R$ 1,66 bilhão, avanço de 0,9% ante o mesmo período no ano anterior. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou R$ 2,34 bilhões, uma alta de 3,1% na comparação anual. Já a margem Ebitda encolheu 0,6 ponto percentual (p.p), para 21,6%. Analistas esperavam lucro líquido de R$ 1,71 bilhão e Ebitda de R$ 2,40 bilhões no período, de acordo com dados da LSEG. Por volta de 12h10 (horário de Brasília), as ações caíam 5,21%, cotadas a R$ 46,25. Na mínima do dia, até esse horário, o recuo chegou a 5,37%. Acompanhe o tempo real. A WEG reportou resultados ligeiramente abaixo das estimativas do Citi. A receita líquida atingiu R$ 10,9 bilhões, ficando ligeiramente acima projeção, enquanto o Ebitda e o lucro líquido vieram cerca de 1% abaixo das expectativas do banco. Na leitura dos analistas, o principal destaque foi a divisão de Geração, Transmissão e Distribuição (GTD), que apresentou mais um trimestre forte, impulsionada pela sólida demanda por transformadores e geradores, especialmente na América do Norte, mais do que compensando a contínua fraqueza do segmento de geração solar distribuída. Já a divisão de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais (EEI) ficou abaixo das estimativas, refletindo uma demanda mais fraca por produtos de ciclo curto no Brasil e alguns impactos cambiais desfavoráveis, segundo o Citi. Ainda assim, os analistas avaliam que a demanda ligada aos setores de óleo e gás, mineração, refrigeração e aplicações para data centers permaneceu saudável. No caso das margens, houve pressão pelo aumento dos custos do cobre e pelas tarifas de importação dos Estados Unidos, mas, na avaliação do banco, permaneceram resilientes, com margem Ebitda de 21,6%. “Por fim, a WEG segue executando sua estratégia agressiva de expansão. Os investimentos (capex) trimestrais alcançaram o recorde de R$ 905 milhões, direcionados principalmente à ampliação da capacidade de produção de transformadores, equipamentos de grande porte e unidades internacionais”, diz o Citi, que tem recomendação neutra para a WEG. Resultado neutro Analistas do Safra e da XP Investimentos classificam os números do trimestre como neutros. O lucro veio 3% acima das expectativas da XP. Em relação à rentabilidade, a margem Ebitda ficou em linha com o esperado, com os maiores custos do cobre, as tarifas e as maiores despesas SG&A mais do que compensados por um mix de produtos mais favorável e por iniciativas de eficiência, que os analistas veem como estruturais. “Olhando adiante, continuamos vendo indicadores saudáveis de demanda em EEI/T&D de ciclo longo, com o crescimento acelerando progressivamente ao longo de 2027 e 2028”, diz a XP. No curto prazo, o cenário macroeconômico deve continuar como um fator relevante para o desempenho da ação do que os próprios resultados, com a WEG apresentando desempenho inferior ao de outras empresas domésticas e de maior beta em um cenário otimista para as ações brasileiras. Uma discussão comercial mais construtiva entre Brasil e Estados Unidos pode surgir como um potencial de alta para as estimativas atuais. O 3T26 da WEG A receita operacional líquida da companhia totalizou R$ 10,8 bilhões no trimestre, um incremento de 5,7% na comparação com o terceiro trimestre de 2025. O mercado interno foi responsável por R$ 4,07 bilhões, alta de 1,8% na comparação anual. Já o mercado externo registrou R$ 6,78 bilhões, um avanço de 8,3%. De acordo com a WEG, o crescimento da receita e a manutenção de margens operacionais saudáveis tiveram impulso do bom desempenho dos negócios no mercado externo, sustentado pela boa demanda por produtos e serviços nos principais segmentos de atuação, apesar do impacto da valorização do real no período. As atividades operacionais apresentaram geração de caixa de R$ 3,872 bilhões até setembro de 2026, resultado da continuidade das boas margens operacionais, e bons indicadores de capital de giro operacional no período. No terceiro trimestre houve investimento de R$ 905,4 milhões em modernização e expansão de capacidade produtiva, máquinas e equipamentos e licenças de uso de softwares, sendo 39,8% destinados às unidades produtivas no Brasil e 60,2% destinados aos parques industriais e demais instalações no exterior.

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