Conseguir a aprovação do candidato e ouvir um "sim" à proposta não significa que a contratação esteja garantida. Um levantamento do Pandapé realizado em 2026 mostra que 21,5% dos profissionais de RH apontam desistências principalmente depois que o candidato já aceitou a oferta. O dado evidencia um ponto de atenção para as empresas: o período entre a aceitação da proposta e a admissão efetiva. Nessa etapa, o profissional pode continuar avaliando outras oportunidades, receber uma contraproposta do empregador atual ou rever suas expectativas sobre a mudança. Ao mesmo tempo, pode precisar aguardar documentos, orientações e a confirmação da data de início, o que torna a comunicação entre empresa e candidato um fator importante para a continuidade da contratação. "Existe uma percepção de que, depois que o candidato aceita a proposta, o processo terminou. Na prática, a decisão ainda pode mudar até o primeiro dia de trabalho. Se a empresa demora para avançar com a admissão ou deixa perguntas não respondidas, corre o risco de perder um profissional que já considerava contratado", afirma Patricia Suzuki, diretora de Recursos Humanos da Redarbor Brasil, detentora do Pandapé. Outras propostas e condições de trabalho influenciam a decisão O risco de perder candidatos não se limita à etapa final do recrutamento. Segundo o levantamento do Pandapé, 42,9% dos profissionais de RH apontaram o recebimento de outra proposta como motivo de desistência em processos seletivos. Outros 14,3% mencionaram salário, enquanto 13% citaram o modelo de trabalho. Embora esses fatores possam levar ao abandono em diferentes momentos da seleção, eles ajudam a contextualizar os desafios enfrentados pelas empresas para manter o interesse dos profissionais até a admissão. Uma oferta concorrente pode surgir enquanto o candidato aguarda o início das atividades. Da mesma forma, informações sobre remuneração, benefícios, responsabilidades e formato de trabalho podem influenciar a decisão quando ele compara concretamente as oportunidades disponíveis. Por isso, a transparência desde as primeiras conversas e a comunicação contínua ao longo da seleção ajudam a alinhar expectativas e evitar dúvidas que poderiam comprometer a contratação. "Quanto mais informações importantes ficam para o fim do processo, maior é o risco de uma expectativa não corresponder à realidade. As condições precisam ser comunicadas no início do processo. Salário, formato de trabalho, responsabilidades e condições da vaga precisam estar claros desde o início", afirma Patricia. Acompanhamento após o aceite também faz parte da gestão do recrutamento Além de manter o contato com o candidato, o RH pode acompanhar indicadores que ajudem a identificar perdas entre a aprovação da proposta e a entrada efetiva do profissional. A comparação entre o número de propostas aceitas e o de candidatos que realmente iniciam as atividades permite identificar possíveis gargalos nessa etapa. O acompanhamento do tempo entre o aceite e a admissão também pode ajudar a localizar esperas desnecessárias e oportunidades de melhoria. Documentação, aprovações internas, alinhamento com gestores e definição da data de início são etapas necessárias, mas precisam estar coordenadas para evitar atrasos e falta de informação. Reduzir intervalos desnecessários e esclarecer os próximos passos contribui para que o candidato saiba o que esperar até sua entrada. "O aceite da proposta representa um compromisso do candidato, mas não encerra o processo de contratação. Acompanhar sua experiência até o primeiro dia de trabalho permite identificar riscos e oportunidades de melhoria ao longo dessa jornada", conclui Patricia Suzuki.
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