Trump intensifica ações judiciais contra Estados às vésperas das eleições

O governo de Donald Trump está intensificando as ações judiciais contra estados americanos a poucos dias das eleições legislativas de meio de mandato, que definirão o equilíbrio de poder em Washington durante os dois últimos anos de seu governo. No Alasca, o Departamento de Justiça apresentou na quinta-feira uma versão modificada de uma ação judicial para tentar impedir a certificação dos resultados em caso de uma derrota republicana por margem estreita em uma disputa crucial pelo Senado. O processo cita uma reportagem do New York Times segundo a qual operadores políticos democratas recrutaram um candidato para dividir os votos do atual senador republicano. Na Califórnia, enquanto isso, o Departamento de Justiça está intensificando sua campanha de pressão contra autoridades eleitorais estaduais, emitindo intimações como parte de uma investigação criminal sobre supostos votos de pessoas sem cidadania americana, segundo cópias de documentos consultadas pela Reuters. Em conjunto, as medidas representam uma intervenção federal extraordinária nas eleições estaduais, que, pela Constituição dos EUA, são organizadas localmente. À medida que o dia 3 de novembro se aproxima, autoridades eleitorais de todo o país disseram à Reuters que estão se preparando para novas contestações judiciais de Washington. A disputa no Alasca, que abriga uma das cerca de dez corridas mais competitivas pelo Senado, pode deixar indefinido por semanas o controle da Casa. Os democratas precisam conquistar um saldo de quatro cadeiras para recuperar a maioria dos republicanos. Se os democratas assumirem o controle de uma ou das duas Casas do Congresso, poderão abrir investigações sobre o governo Trump e aumentar a pressão sobre o presidente para encerrar a guerra no Irã. Na sexta-feira, Trump fará campanha na Flórida, na esperança de mobilizar seus apoiadores em um Estado onde venceu com folga em 2024, mas no qual a votação antecipada tem favorecido os democratas. Será sua mais recente visita a um Estado onde os republicanos normalmente esperam vencer, depois de eventos de campanha realizados nesta semana no Mississippi e na Carolina do Sul. O presidente cancelou comícios previstos para o fim de semana no Kansas e em Iowa e, em vez disso, participará de cerca de 20 eventos virtuais de campanha antes de terça-feira, segundo o Comitê Nacional Republicano. A ex‑vice‑presidente Kamala Harris, derrotada por Trump na eleição de 2024, participará de um comício democrata em Atlanta na sexta-feira. "O último ano e meio foi difícil", disse ela ao público na quinta-feira, durante um evento em Macon, na Geórgia. "Agora estamos na fase em que podemos fazer muita coisa." Mais de 44 milhões de americanos já haviam votado até a noite de quinta-feira, segundo o Laboratório Eleitoral da Universidade da Flórida, número menos de 2 milhões inferior ao total registrado nas eleições de meio de mandato de 2022. Em um centro de votação na quinta-feira, em Columbus, Ohio, Estado com disputas altamente competitivas pelo Senado e pelo governo estadual, o funcionário eleitoral Antone White afirmou que o comparecimento era aproximadamente o dobro do registrado em 2022. Entre as pessoas que aguardavam para votar estava Sadirah Simmons, uma idosa que vive com renda fixa. "A economia não está melhorando", afirmou. "É preciso sair e votar se você quer mudanças." Na versão revisada da ação judicial apresentada na quinta-feira no Alasca, o Departamento de Justiça afirmou que operadores políticos da candidata democrata Mary Peltola organizaram uma "campanha de fachada com o objetivo de enganar os eleitores do Alasca". O New York Times informou na quarta-feira que esses operadores recrutaram um candidato com o mesmo nome do atual senador Dan Sullivan.

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