Santander mira em baterias no quinto leilão do Eco Invest

O Santander aposta no armazenamento de energia em baterias para ampliar sua atuação no financiamento da transição energética no Brasil. No quinto leilão do Eco Invest, o banco levou a gestão da cadeia de beneficiamento de minerais críticos, baterias e mobilidade elétrica, que vai mobilizar R$ 6,5 bilhões. O programa do Tesouro Nacional para atrair capital privado para projetos verdes opera na modalidade blended finance, em que o capital subsidiado público entra para reduzir custos ou mitigar riscos, atraindo recursos privados em maior escala. O quinto leilão vai mobilizar até R$ 49,9 bilhões em seis cadeias produtivas ligadas à inovação. Esta edição busca conectar o capital produtivo e financeiro a universidades, centros de pesquisa e startups. Para isso, combina três mecanismos financeiros: fundos de investimento em inovação, uma linha de crédito corporativo e recursos não reembolsáveis para pesquisa aplicada e empreendedorismo de base tecnológica. O Tesouro vai aportar R$ 13,2 bilhões em capital catalítico nesta edição, com o custo de 1% ao ano para os bancos: R$ 9 bilhões para fundos de inovação investirem em dívida conversível em participação (equity) e R$ 4,2 bilhões para crédito corporativo. Os bancos vencedores terão que captar os outros R$ 36,7 bilhões de recursos privados. O principal critério de seleção do Eco Invest é a alavancagem. Para os recursos destinados ao fundo de inovação, o Santander ofereceu a alavancagem máxima de duas vezes: o Tesouro entra com R$ 1,5 bilhão e o banco capta outros R$ 3 bilhões. Na linha de crédito, a alavancagem ofertada foi de 20 vezes: o Tesouro vai colocar R$ 100 milhões e o Santander terá que captar outros R$ 1,9 bilhão para oferecer empréstimos para a cadeia de baterias, minerais críticos e mobilidade elétrica. O banco tem nas baterias sua estratégia principal por considerá-las a oportunidade mais madura entre as três frentes. Segundo Júlio Meirelles, responsável pela área de energia e project finance do Santander, o Brasil está passando por um movimento semelhante ao que aconteceu em outros mercados: após forte expansão das fontes de energia renováveis, cresceu a necessidade de soluções para armazenar energia e dar mais flexibilidade ao sistema elétrico. O executivo afirma que o Santander participou de cerca de 70 operações de financiamento de armazenamento nos últimos oito anos, em dez geografias, incluindo Europa, Estados Unidos e Chile. “O armazenamento é a próxima etapa da expansão renovável no Brasil. As baterias podem ajudar a aproveitar a energia que seria desperdiçada quando a geração solar e eólica supera a capacidade de absorção do sistema, além de viabilizar a continuidade da expansão das fontes renováveis”, afirma Meirelles. Apetite por baterias O governo federal prepara um leilão para contratar capacidade de armazenamento de energia, previsto para acontecer em dezembro. O Santander olhou para o certame para estimar o potencial de negócios do setor. “A expectativa é que a contratação de baterias crie demanda não apenas para os operadores dos sistemas, mas também para fabricantes e fornecedores”, diz Meirelles. Além dessa demanda, o banco também considerou os projetos de geração renovável que podem incorporar baterias independentemente da contratação pública e os investimentos necessários para desenvolver a cadeia de fornecimento. Outras fontes de financiamento da cadeia de valor das baterias também foram analisadas. Projetos que utilizam conteúdo local, por exemplo, podem ter acesso a linhas de financiamento subsidiadas, como a Finame, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os importados ficam de fora dessa linha. “Mesmo quando há funding subsidiado, ele vai preencher um certo espaço. Existe um gap que pode gerar oportunidade para nós”, afirma Meirelles. “Essa análise de onde há espaço para o banco atuar com alternativas de financiamento foi o que fundamentou a estratégia do lance do Santander no Eco Invest.” Minerais e mobilidade elétrica Em minerais críticos, o executivo afirma que o banco está mapeando projetos com clientes. Embora reconheça a importância estratégica de terras raras no contexto geopolítico e de mercado, o banco pretende avaliar oportunidades com diferentes minerais, de acordo com os critérios de elegibilidade do leilão. O Santander também considera financiar empresas em estágio inicial, as chamadas mineradoras juniores. “O edital tem claramente um viés de atuar nos empreendimentos dentro da cadeia que são incipientes. Isso foi levado em consideração na nossa estratégia.” Isso abre espaço para avaliar empresas em fase pré-operacional, que hoje dependem de capital estrangeiro, sobretudo. Essas empresas costumam usar capital próprio na pré-operação e, em etapas seguintes, como a construção da mina em escala industrial, fazem novas captações via equity e se financiam também com contratos de venda antecipada (offtake). A mobilidade elétrica é a frente com menor expectativa de geração de volume de negócios entre as três, afirma Alex Sciacio, líder de finanças sustentáveis do Santander, “com a expectativa de ter tickets médios menores do que projetos de mineração e de armazenamento.” Há uma obrigação no edital do leilão do Eco Invest de que 10% dos recursos devem ser direcionados para mobilidade elétrica de duas rodas, como motos e bicicletas. Equity Os leilões do Eco Invest trabalharam, até agora, com instrumentos de dívida (no primeiro, segundo e quarto leilões) e de participação acionária (no terceiro). Nesta quinta concorrência, o modelo é híbrido, com a introdução de dívida conversível. Até agora, o Santander só havia vencido concorrências de dívida. Como este é o primeiro com operação de equity que o banco venceu, a estratégia para fazer os desembolsos ainda não está inteiramente definida. O banco considera tanto aportes diretos quanto estruturas de fundos, segundo Meirelles. Pelas regras, o fundo pode ser gerido pelo banco, por uma subsidiária ou por uma gestora contratada, ou montado como fundo de fundos, inclusive com fundos de corporate venture capital. “Haverá bastante interesse dos clientes por fazer estrutura de fundos, pela natureza do que isso representa do ponto de vista de custo de capital. Mas essa conversa vai acontecendo caso a caso com os clientes que tiverem projetos elegíveis”, diz Meirelles. O post Santander mira em baterias no quinto leilão do Eco Invest apareceu primeiro em Reset.

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