A regulamentação do novo Imposto Seletivo (IS), divulgada pelo governo por meio da Medida Provisória 1.399, trouxe incertezas para o setor de bebidas, mas os impactos para empresas como a Ambev (ABEV3) tendem a ser administráveis no curto prazo, segundo análises de JPMorgan e Goldman Sachs. A medida estabelece as alíquotas do IS para 2027, que substituirá parcialmente a tributação atual dentro do processo de reforma tributária. Para cervejas, a alíquota foi fixada em 4,2%, enquanto refrigerantes açucarados terão taxa de 2,6%, níveis próximos da carga atualmente gerada pelo IPI, tributo que será extinto. O imposto começará a valer em fevereiro de 2027, mas ainda depende de aprovação do Congresso. Na avaliação do Goldman Sachs, o novo imposto, isoladamente, é praticamente neutro para o setor. O aumento da carga tributária viria principalmente da nova estrutura de IVA da reforma tributária. O banco estima que a carga total sobre refrigerantes pode subir entre 0,6 e 1,4 ponto percentual, enquanto o aumento para cervejas ficaria entre 0,3 e 1,1 ponto percentual. A expectativa é que a maior parte desse impacto seja repassada aos consumidores. Ainda assim, os analistas alertam que permanecem dúvidas importantes, especialmente sobre o tratamento tributário da Zona Franca de Manaus, tema relevante para fabricantes de refrigerantes. O Goldman também avalia que o mercado pode reagir negativamente no curto prazo diante das incertezas, embora veja o segmento de refrigerantes em posição relativamente melhor do que o de cervejas por conta da demanda mais resiliente. Já o JPMorgan considera a proposta um evento de redução de risco para a Ambev. O banco destaca que a taxa de 4,2% para cerveja praticamente substitui o IPI atual e que a regulamentação adiou para 2028 a definição de pontos mais sensíveis da reforma, como a cobrança específica por teor alcoólico (ad rem), considerada o principal fator de impacto para o setor. Segundo os cálculos do JPMorgan, caso seja mantida a alíquota de CBS de 11,3% sugerida pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a Ambev precisaria promover um reajuste de aproximadamente 1,3% nos preços da cerveja para neutralizar os efeitos da transição tributária em 2027. Se a CBS for definida em 9,5%, o novo imposto seria praticamente neutro para a companhia. Leia também Confira as alíquotas do Imposto Seletivo que entrarão em vigor em fevereiro Segundo a Casa Civil, os fatores de conversão servem para compensar as perdas de arrecadação com as mudanças nas bases de cálculo próprias do IS Governo envia PEC que prorroga IPI sobre bens afetados pelo Imposto Seletivo A PEC pretende prorrogar a incidência do IPI sobre os bens afetados pelo IS até que haja “pleno efeito do Imposto Seletivo, a fim de evitar a desoneração sobre produtos gravosos à saúde, a exemplo de cigarros”. Para o longo prazo, contudo, o cenário permanece mais incerto. O banco estima que, em um cenário-base para 2033, a reforma tributária poderia gerar um impacto de cerca de 3% no Ebitda da operação de cerveja da Ambev no Brasil, resultado considerado administrável e passível de compensação por reajustes de preços e mudanças no mix de produtos. O pico do impacto poderia chegar a 5,4% em 2032. O JPMorgan também destaca que a maior exposição da Ambev ao segmento mainstream de cervejas e ao consumo em bares e restaurantes pode tornar a companhia mais sensível à reforma do que algumas concorrentes. Ainda assim, o banco avalia que o desenho atual da proposta não altera de forma relevante as perspectivas para a fabricante. Além da Ambev, os bancos analisaram os possíveis efeitos sobre a Coca-Cola Femsa e a Andina. O JPMorgan vê impacto limitado para ambas, enquanto o Goldman Sachs manteve recomendação de compra para as duas engarrafadoras, entendendo que os riscos regulatórios permanecem administráveis no cenário atual. The post Novo imposto seletivo sobre bebidas preocupa mercado: qual impacto para Ambev? appeared first on InfoMoney.
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