Ibovespa sente o peso das pesquisas; WEG (WEGE3) despenca 7% e Magazine Luiza (MGLU3) recua O otimismo que levou a Bolsa brasileira a superar os 208 mil pontos na terça-feira durou pouco. Nesta quarta-feira (21), o Ibovespa caiu 0,86%, aos 206.495,23 pontos, uma perda de 1.800,75 pontos, após uma nova pesquisa eleitoral aumentar a cautela dos investidores. O índice chegou a operar em alta pela manhã, mas mudou de direção ao longo do pregão. A virada aconteceu após a divulgação da pesquisa Quaest, que mostrou uma disputa ainda mais apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro pelo Palácio do Planalto. O levantamento também apontou rejeição de 52% ao candidato da oposição, contra 47% ao atual presidente, reforçando a percepção de que o resultado do segundo turno permanece indefinido. A reação foi suficiente para interromper a recuperação da véspera, mesmo com o desempenho positivo das bolsas americanas. O dólar voltou a subir, enquanto ações de peso, como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4), ampliaram a pressão sobre o índice. Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o movimento reflete uma combinação de cautela eleitoral e realização de lucros, após a forte valorização recente da Bolsa. Segundo o economista, os investidores reduziram a exposição ao risco diante da proximidade da votação, enquanto as discussões sobre o controle dos gastos públicos continuam influenciando as expectativas para os próximos anos. Além das eleições, a temporada de balanços começou a movimentar o mercado brasileiro. A WEG (WEGE3) foi um dos principais destaques negativos após divulgar resultados que frustraram as expectativas em relação às margens e aos custos. Maiores altas e baixas A WEG (WEGE3) despencou 7,34%, depois que os números do terceiro trimestre mostraram pressão sobre a rentabilidade. O resultado colocou a fabricante entre os destaques negativos de uma sessão marcada pela aversão ao risco. As gigantes de commodities também pesaram. Vale (VALE3) caiu 2,15%, prolongando a sequência recente de perdas, enquanto Petrobras (PETR4) recuou 0,79%. Entre as varejistas, Magazine Luiza (MGLU3) perdeu 3,98%, devolvendo parte da valorização acumulada em outubro. GPA (PCAR3) caiu 2,56%. Os bancos tiveram desempenho misto. Bradesco (BBDC4) cedeu 0,15% e Banco do Brasil (BBAS3) caiu 0,41%. Já Itaú (ITUB4) avançou 0,20% e Santander (SANB11) ganhou 0,94%. Na ponta positiva, Embraer (EMBJ3) subiu 1,11%, em uma sessão de poucos destaques favoráveis entre as principais ações. Cotação do dólar hoje O dólar comercial encerrou a quarta-feira em alta de 0,17%, a R$ 5,027, interrompendo uma sequência de três pregões de queda. A moeda americana acompanhou a mudança de humor dos investidores após a pesquisa Quaest. No exterior, o dólar também ganhou força diante de outras moedas, enquanto os preços do petróleo reagiram aos dados de estoques nos Estados Unidos. Vitor Kayo, da Nomad, explica que a proximidade do segundo turno aumentou a busca por proteção cambial, mesmo em um ambiente internacional relativamente favorável aos ativos de risco. Os juros futuros brasileiros, por sua vez, terminaram o dia em queda ao longo da curva, apesar das oscilações provocadas pelo noticiário eleitoral. Fechamento das bolsas americanas Na contramão da Bolsa brasileira, os principais índices de Wall Street encerraram a quarta-feira em alta, impulsionados pelos resultados corporativos e pela recuperação das empresas ligadas à inteligência artificial. Dow Jones: alta de 0,69%, aos 52.856,09 pontos S&P 500: alta de 0,58%, aos 7.757,17 pontos Nasdaq: alta de aproximadamente 1,05%, aos 26.702,86 pontos A temporada de balanços deu novo impulso ao setor de tecnologia, ajudando os índices americanos a se aproximarem das máximas recentes. No Brasil, os investidores voltam as atenções para a pesquisa Datafolha, prevista para quinta-feira (22), e para o balanço do Bradesco (BBDC4), que será divulgado após o fechamento do mercado. A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de terça-feira (20), foi de 208.295,98 pontos, com alta de 1,57%.
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