Grupo Sabará amplia produção de clorito de sódio com avanço do setor de saneamento

As mudanças promovidas pelo novo marco legal do saneamento básico, instituído pela Lei nº 14.026/2020, como a meta de ter 99% da população do Brasil com acesso à água potável e 90% dos habitantes do país atendidos em coleta e no tratamento de esgoto, têm aberto oportunidades de expansão para médias empresas que atuam no setor. Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil, diz que, para cumprir as metas do novo marco do saneamento, a média de investimento por habitante vai aumentar dos atuais R$ 137,00 para R$ 225,00. Na avaliação de Pretto, esse investimento vai exigir muito, tanto do ponto de vista das concessionárias de saneamento básico, quanto em relação a produtores de materiais, para obras e para o tratamento de água e esgoto. “Como a demanda necessária para os próximos anos, nunca exigida historicamente, o setor está abrindo novas oportunidades para expansão. Nessa lógica, o setor tem muitas empresas consolidadas de médio porte, que estão na segunda geração, e como Grupo Sabará, a GR Química e a BF Dias”, diz Pretto. Com 70 anos de atuação, completados este mês, o grupo Sabará, em especial a divisão Químicos e Ingredientes, enxergou a oportunidade para uma nova frente de fabricação, com a produção de clorito de sódio, composto necessário na etapa anterior à cloração da água. Indústria familiar de médio porte focada no uso da molécula do cloro para o tratamento de água e esgoto, que alcançou R$ 401,5 milhões , o grupo Sabarávem ampliando participação no mercado de clorito de sódio, que era dominado por empresas multinacionais. Essa frente de negócios é importante, porque, quando as estações de tratamento de água usam apenas o cloro para tratamento e há o contato com matéria orgânica, são produzidos organoclorados, que são substâncias cancerígenas. Nos últimos seis anos, o grupo Sabará investiu cerca de R$ 87 milhões na fábrica de clorito de sódio, localizada em Santa Bárbara do Oeste, em São Paulo. À frente do negócio, Marco Antonio Sabará, executivo da segunda geração da família fundadora, diz que a meta, até 2030/2031, é ampliar de 9% para 43% a participação da empresa no volume produzido de clorito de sódio destinado à área de saneamento. Na prática, isso representa um aumento de 4.080 toneladas destinadas ao setor e uma expectativa de R$ 72 milhões adicionais em faturamento, ressalta Sabará. A planta tem capacidade para gerar mais de 20 mil toneladas anuais de clorito de sódio. Sabará diz que a queda recorrente na qualidade da água fornecida no país estimulou o investimento para que a empresa se tornar a única produtora de clorito de sódio da América Latina. As primeiras vendas do produto começaram há cerca de três anos, com foco em estações de tratamento de água e operações industriais nos setores sucroalcooleiro, têxtil e de couro. “Com clorito de sódio, nós atendemos também a indústria de energia, que é o álcool. Na produção de etanol, a levedura, na verdade, era um processo em que era usado antibiótico e jogava a levedura fora. Com o clorito, você recupera a levedura e ela vira uma matéria-prima para a comida de gado”, diz Sabará Disputa de mercado com fabricantes da China, Estados Unidos e Espanha Por conta da redução da qualidade da água que chega às estações de tratamento, a etapa de pré-cloração tem se tornado fundamental. Esse processo pode ser feito também com ácido sulfúrico, que leva enxofre na composição. No entanto, com a guerra dos Estados Unidos contra o Irã, o enxofre se tornou mais caro, abrindo mais oportunidades para produtores de clorito de sódio, que é produzido também nos Estados Unidos, na China e na Espanha. Sabará observa que o mercado de clorito de sódio vem aumentando no Brasil após a instituição do novo marco do saneamento. O empresário observa que há ações regulares do Ministério Público para fiscalizar e multar companhias de água, quando é constatada a presença de organoclorados. “Essas substâncias afetam a vida das pessoas e o meio ambiente. Então o clorito de sódio ganhou importância no mercado”, diz. O avanço da Sabará na produção de clorito de sódio também foi facilitado pela parceria de mais de 50 anos com a Unipar. Empresa do setor químico e petroquímico, a Unipar está entre as maiores produtoras de cloro e soda cáustica, além de fabricar hipoclorito de sódio, ácido clorídrico, dicloroetano (EDC) e monômero de cloreto de vinila (VCM). Alexandre de Castro, diretor executivo comercial na Unipar, diz que empresas com o perfil do Grupo Sabará têm tido atuação fundamental na distribuição dos produtos em território nacional. Para o executivo, os parceiros de médio porte são estratégicos pela capilaridade e pela agilidade. “Eles conseguem ampliar o alcance para as nossas soluções e, ao mesmo tempo, garantem um atendimento próximo e muito eficiente aos clientes, como é o caso da Sabará”, avalia Castro. O executivo também destaca a preocupação da Sabará com requisitos de segurança e o investimento em conhecimento técnico para tornar os produtos mais seguros e eficazes.” O grupo Sabará leva conhecimento técnico para o mercado, garantindo a segurança no uso dos nossos produtos e dos produtos que eles fabricam, obviamente”, ressalta. Em 2025, o Grupo Sabará alcançou R$ 401,5 milhões em faturamento, o que significa crescimento em torno de 2,1% em relação aos resultados obtidos em 2024. Entre janeiro e junho deste ano, o faturamento chegou a R$ 179 milhões. Para os próximos anos, a meta é crescer 5% ano, diz Marco Antonio Sabará.

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