Netanyahu perde força na disputa pelo poder após revés com sigla ultraortodoxa

A posição de Benjamin Netanyahu na disputa pós-eleitoral para permanecer como primeiro-ministro de Israel enfraqueceu nesta quinta-feira (5), depois que um partido judaico ultraortodoxo decidiu não apoiar nenhum candidato e uma legenda liderada por árabes declarou apoio a seu principal adversário, Gadi Eisenkot. Leia também: Rivais de Netanyahu aproveitam vitória democrata nos EUA para tentar tirá-lo do poder Trump anuncia fim da ajuda anual de US$ 4 bi dos EUA a Israel Irã comemora derrota de Trump nas eleições legislativas dos EUA Após realizar consultas com partidos menores, o presidente de Israel, Isaac Herzog, deverá se reunir com Netanyahu e Eisenkot para decidir qual dos dois será escolhido para formar um governo. As eleições israelenses de 27 de outubro terminaram em impasse, sem que Netanyahu ou Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas, conseguissem assegurar um caminho claro para obter maioria no Parlamento. O resultado colocou Herzog diante de uma tarefa difícil. Embora seu cargo seja essencialmente cerimonial, cabe a ele, após as eleições, escolher o candidato que considera ter as melhores chances de superar o impasse em um país profundamente dividido. Herzog tem até 11 de novembro para tomar uma decisão. Netanyahu permanece como premiê à frente de um governo interino até que uma nova coalizão seja formada ou até a realização de outra eleição, que deverá ocorrer caso nenhum candidato consiga formar governo. Embora Netanyahu tenha superado as expectativas nas urnas e seu partido, o Likud, tenha conquistado o maior número de cadeiras, sua coalizão nacionalista e religiosa perdeu a maioria necessária para governar. Em um revés para o primeiro-ministro nesta quinta-feira, o Judaísmo Unido da Torá, um dos dois principais partidos que representam os eleitores judeus ultraortodoxos e um aliado de longa data de Netanyahu, decidiu não recomendar nenhum candidato para formar governo. Além disso, embora Eisenkot, assim como Netanyahu, tenha descartado até agora a possibilidade de formar um governo com os dois partidos israelenses liderados por árabes, uma dessas legendas declarou apoio a Eisenkot nesta quinta-feira, enquanto a outra deveria fazer o mesmo ainda ao longo do dia. Divisão interna Herzog se reunirá separadamente com Eisenkot e Netanyahu em sua residência, em Jerusalém, na noite desta quinta-feira, encerrando a rodada de encontros com os partidos iniciada na quarta-feira, após a divulgação dos resultados oficiais das eleições. Herzog pediu aos partidos que façam todo o possível para evitar uma nova rodada eleitoral. "Qualquer pessoa razoável precisa apenas observar os desafios de segurança e diplomáticos que temos pela frente, a região em transformação ao nosso redor, e lembrar das questões que nos dividem internamente para compreender que uma responsabilidade imensa recai sobre nós", afirmou Herzog. Ele se reuniu com legendas menores na quarta-feira e planeja realizar novos encontros com os partidos em ordem crescente de tamanho, culminando com o Yashar, de Eisenkot, e o Likud, de Netanyahu. O Likud conquistou o maior número de cadeiras entre os partidos, com 27 das 120 vagas da Knesset, o Parlamento israelense, mas a coalizão religiosa e nacionalista mais ampla de Netanyahu obteve apenas 53 assentos no total. Ainda assim, o resultado foi melhor que o da coalizão contrária a Netanyahu liderada por Eisenkot, composta por quatro partidos liderados por judeus, que vão da centro-esquerda à direita, e que conquistou apenas 48 cadeiras, apesar de pesquisas anteriores à eleição apontarem para uma disputa acirrada. Dois partidos que representam a minoria árabe de Israel conquistaram um número inédito de 19 cadeiras. O ex-chefe das Forças Armadas de Israel Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar e principal adversário de Benjamin Netanyahu Reuters/Shir Torem Tentativa de deslegitimar resultados eleitorais Diante do risco de perder o poder, Netanyahu passou a usar uma investigação de autoridades eleitorais sobre possíveis manipulações de votos para lançar dúvidas sobre os resultados, acusando partidos liderados por árabes de fraudar a votação. Críticos acusam Netanyahu e seus aliados de tentar deslegitimar os resultados, o que ele nega. O Comitê Eleitoral Central de Israel afirmou na quarta-feira que a integridade das eleições não havia sido comprometida. O presidente do comitê, o juiz da Suprema Corte Noam Sohlberg, pediu às autoridades eleitas de Israel que protejam a confiança da população, em vez de abalá-la. "Este é um perigo real. Um dos fundamentos da democracia é a transferência pacífica do poder", disse Sohlberg a Herzog, durante encontro na residência presidencial na quarta-feira. Segundo ele, a elevada participação eleitoral, inclusive entre a minoria árabe, foi algo positivo. Aliados de Netanyahu na extrema direita, incluindo o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, pediram a prisão e o interrogatório imediatos de líderes dos partidos árabes. Uma faixa com imagens do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, é queimada em uma rua de Teerã, no Irã Majid Asgaripour/WANA via Reuters

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