O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano em sua reunião de 4 de novembro, interrompendo o ciclo de cortes. A decisão já era amplamente esperada, e analistas avaliam que a reação dos mercados em 5 de novembro será guiada principalmente pelo tom do comunicado divulgado e pelas sinalizações sobre a política fiscal do novo governo. O Banco Central passou a descrever o ambiente externo como "mais adverso", apontou uma moderação mais acentuada da atividade econômica e os primeiros sinais de desaquecimento no mercado de trabalho. Além disso, destacou a aceleração da inflação e de seus núcleos. A projeção de inflação para o segundo trimestre de 2028 foi revisada para 3,5%, um aumento em relação à projeção anterior de 3,2%. O comunicado também removeu a menção à magnitude total do ciclo de calibração, o que, na leitura de analistas, sugere o fim dos cortes de juros, ao menos por enquanto. Josias Bento, da GT Capital, classificou o comunicado como "duro", mas coerente, enfatizando a piora das expectativas de inflação. José Márcio Camargo, da Genial Investimentos, chamou atenção para a desvalorização cambial próxima a 10% nos últimos dez dias e a pressão sobre a inflação. Vitor Kayo, da Nomad, indicou que o tom do texto pode ajudar a conter prêmios na curva de juros, enquanto uma Selic elevada por tempo prolongado pode reforçar a desaceleração do crédito e do consumo.
A evolução das expectativas de inflação, conforme o Relatório Focus do Banco Central, e a divulgação de dados macroeconômicos como o IPCA e o Caged nos próximos meses serão cruciais. A comunicação do Banco Central sobre a política fiscal do governo federal será determinante para reavaliar a trajetória da Selic e o cenário de crédito e consumo no país.
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