A montagem do quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a movimentar Brasília. Com a vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL), nomes que participaram da campanha, governadores reeleitos e políticos derrotados nas urnas passaram a disputar espaço na Esplanada dos Ministérios. A principal novidade será a criação do Ministério da Segurança Pública, promessa reforçada por Lula após a aprovação da PEC da Segurança pelo Senado, na terça-feira (3). A definição do comando da Fazenda também desperta interesse, em meio às pressões por medidas de ajuste fiscal e à reação negativa do mercado financeiro ao resultado eleitoral. Apesar das articulações, Lula ainda não anunciou escolhas. O presidente pretende começar a definir a composição do ministério depois de retornar das viagens à Turquia e às Filipinas, previstas para terminar em 16 de novembro. Lula convida Motta e Alcolumbre para viagens à Turquia e às Filipinas A negociação terá um componente político importante. O PT e seus aliados mais próximos não terão maioria no Congresso em 2027, o que deverá levar Lula a oferecer espaço a partidos de centro em troca de apoio às propostas do governo. A participação dessas legendas na Esplanada poderá ser condicionada a compromissos de votação no Legislativo. Leia também Com 124 deputados fiéis, o que Lula terá de negociar para aprovar um ajuste fiscal? Levantamento do Diap aponta que presidente dependerá de partidos de centro para alcançar maiorias e implementar mudanças nas contas públicas Segurança Pública terá ministério próprio A aprovação da PEC da Segurança abriu caminho para a criação da nova pasta, que deverá concentrar parte da coordenação federal no combate às facções criminosas e às milícias. Lula pretende anunciar a estrutura ainda em 2026, embora seu funcionamento pleno possa começar apenas no próximo ano. O governo precisa definir o orçamento e quais órgãos permanecerão vinculados ao Ministério da Justiça, incluindo a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. Entre os nomes mencionados nas articulações está o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD). A possibilidade de sua transferência passou a circular nos bastidores após a aprovação da PEC. O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, conhecido por investigações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), também ganhou força nas discussões. Ele teria sido sondado informalmente e demonstrou interesse no cargo. Outros nomes avaliados são o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, e os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Rui Costa (PT-BA). A diversidade de candidatos reflete uma escolha ainda pendente entre um perfil técnico, ligado às investigações criminais, e um político com experiência administrativa. Lula deve criar formalmente o ministério nos próximos dias e deixar parte da estruturação para 2027. Rafael Fonteles ganha força na Fazenda O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), aparece entre os principais cotados para substituir Dario Durigan no Ministério da Fazenda. Matemático, com mestrado em Economia Matemática pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), Fonteles foi secretário da Fazenda do Piauí antes de assumir o governo estadual. Seu nome ganhou força depois da participação na campanha de Lula, especialmente nas discussões sobre comunicação e mobilização eleitoral. Segundo a Folha, o presidente sinalizou a aliados que gostaria de contar com Fonteles em sua equipe econômica. O governador, porém, enfrenta questionamentos sobre a situação fiscal do Piauí. Sua gestão ampliou investimentos e arrecadação, mas registrou resultados primários negativos nos últimos anos. Outra possibilidade é o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que acumulou a Vice-Presidência com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços durante parte do terceiro mandato. A escolha é observada pelo mercado financeiro, que aguarda indicações sobre como Lula pretende financiar novas promessas de campanha e conter o crescimento da dívida pública. Camilo Santana é cotado para a Casa Civil O senador Camilo Santana, ex-ministro da Educação, aparece entre os nomes mais citados para assumir a Casa Civil, responsável pela coordenação das ações do governo e pelo acompanhamento das prioridades presidenciais. Camilo ampliou sua proximidade com Lula durante a campanha e participou das articulações que contribuíram para a reeleição de Elmano de Freitas ao governo do Ceará. Aliados avaliam que um cargo de destaque no Planalto também poderia ampliar sua projeção nacional. A Casa Civil havia sido considerada um destino provável para Fernando Haddad antes das eleições. A derrota do petista na disputa pelo governo de São Paulo, entretanto, abriu espaço para outras alternativas. Camilo também aparece nas conversas sobre o Ministério da Segurança Pública, cuja criação poderá provocar novos remanejamentos no primeiro escalão. João Campos pode ocupar pasta do PSB Derrotado na disputa pelo governo de Pernambuco, o ex-prefeito do Recife João Campos é considerado por aliados um dos nomes com espaço na nova equipe ministerial. Presidente nacional do PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, Campos deverá participar das negociações sobre a distribuição de cargos entre as legendas aliadas. Uma possibilidade é o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, comandado por seu pai, Eduardo Campos, durante o primeiro mandato de Lula. Atualmente, a pasta está sob responsabilidade de Luciana Santos (PCdoB). A expectativa é de que o nome de João Campos seja apresentado na primeira conversa formal do PSB com o presidente. Haddad pode ir para o Itamaraty O futuro de Fernando Haddad permanece indefinido. Antes da eleição, ele era considerado um dos principais candidatos à Casa Civil, mas a derrota na disputa pelo governo paulista modificou as articulações. Agora, o ex-ministro da Fazenda é mencionado para o Ministério das Relações Exteriores. A possibilidade leva em conta sua experiência em negociações econômicas internacionais, incluindo reuniões do G20 e do Brics. Pessoas próximas a Haddad, entretanto, afirmam que ele também considera retomar as atividades acadêmicas na Universidade de São Paulo (USP) e ficar fora do governo. A indicação dependerá da avaliação de Lula sobre o papel político que pretende reservar ao ex-ministro. Janones pode ganhar espaço na Comunicação A atuação de André Janones (Rede-MG) na campanha presidencial colocou seu nome entre os cotados para a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom). O deputado reeleito coordenou o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que ultrapassou 10 milhões de participantes e ganhou destaque na mobilização eleitoral durante o segundo turno. Janones se reuniu com Lula após a eleição, mas afirmou que não recebeu convite para assumir a Comunicação. Também declarou considerar importante permanecer na Câmara diante do crescimento da oposição. Segundo a Folha, o presidente avalia criar uma estrutura própria de comunicação digital, vinculada diretamente ao gabinete presidencial. A mudança poderia abrir espaço para integrantes da campanha sem exigir necessariamente sua nomeação para um ministério. O atual secretário de Imprensa, Laércio Portela, também aparece como possível substituto de Sidônio Palmeira na Secom. Defesa terá mudanças O ministro José Múcio Monteiro deve deixar o Ministério da Defesa após quatro anos no cargo. Ele já havia manifestado a Lula o desejo de encerrar sua passagem pelo governo. Entre as alternativas mencionadas para a pasta está o vice-presidente Geraldo Alckmin. Outra possibilidade ventilada é a promoção de Cinara Wagner Fredo, atual secretária-geral do ministério. A transição também poderá alcançar os comandos militares. Os chefes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica sinalizaram a intenção de deixar suas funções em 2027. O comandante do Exército, general Tomás Paiva, é citado para assumir o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), embora ainda não exista decisão anunciada. Aliados derrotados também buscam espaço Lula ainda terá de acomodar integrantes de partidos aliados que ficaram sem mandato depois das eleições. Gleisi Hoffmann (PT-PR), derrotada na disputa pelo Senado, é mencionada para o Ministério do Desenvolvimento Social. Outros nomes lembrados nas conversas são Simone Tebet, Márcio França, Marina Silva e José Guimarães. Entre os integrantes que podem permanecer no primeiro escalão estão Esther Dweck, da Gestão; Leonardo Barchini, da Educação; Fernanda Machiaveli, do Desenvolvimento Agrário; Alexandre Padilha, da Saúde; e Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral. As escolhas dependerão também das negociações com MDB, PSD, União Brasil, PP e Republicanos. Com uma base parlamentar considerada estável de apenas 124 deputados, Lula pretende usar a composição ministerial para ampliar o apoio às propostas econômicas e legislativas do quarto mandato. A expectativa entre aliados é que os anúncios comecem na segunda metade de novembro, com a definição das pastas mais estratégicas antes das demais nomeações. The post Quem pode ser ministro de Lula em 2027? Veja os nomes cotados para a Esplanada appeared first on InfoMoney.
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