Debate Globo: Flávio cita Lula 49 vezes e petista foca discurso em Brasil, país e pessoas

Apesar de ter mudado um pouco a estratégia para transparecer um candidato mais moderado, o foco do senador Flávio Bolsonaro (PL) no debate da Globo desta sexta-feira (23), realizado a dois dias das eleições presidenciais, continuou sendo de ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lula foi a terceira palavra mais usada pelo senador durante o confronto, ocupando o mesmo lugar no ranking que o do debate da Band, realizado no último domingo (18), marcado por acusações e falta de propostas. Lula foi citado 63 vezes nos quatro blocos do programa da Globo - a sexta palavra mais citada no geral - sendo 49 vezes por Flávio. Brasil, governo e pessoas também estão entre as 10 mais mencionadas por ambos os candidatos à Presidência da República, que se enfrentam nas urnas no próximo domingo (25), na eleição mais acirrada da história. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, teve metade das citações em relação ao debate da Band, sendo mencionado 10 vezes nesta sexta-feira. Enquanto Flávio focou em seu adversário, Lula priorizou em seu discurso palavras como país, pessoas e Brasil, que estão entre as 10 mais citadas por ele – 37, 33 e 28 vezes, respectivamente. Povo é a décima primeira mais usada pelo petista, repetida 23 vezes. "Bolsonaro" foi usada apenas uma vez pelo atual chefe do Palácio do Planalto, que se referia a Jair Bolsonaro pela palavra "pai", usada 22 vezes no debate, sendo 18 vezes por Lula, número que é menos que a metade das menções de Flávio ao adversário. O levantamento foi feito pelo Valor usando programação e exclui palavras como preposições, artigos e pronomes. Dívida, taxa, dinheiro, salário e mínimo também aparecem como algumas das 50 mais mencionadas no debate, que obrigou os candidatos a escolherem temas específicos no segundo e terceiro bloco, ou regiões do país no primeiro. Lula questionou Flávio diversas vezes se ele iria, caso eleito, manter o reajuste do salário-mínimo pela inflação e aplicar a correção também para aposentados e outras categorias. "Se não fossem os governos do PT, Lula e Dilma, se a gente não estivesse reajustando o salário acima do acima da inflação, sabe quanto seria o salário-mínimo por conta do seu pai e do Temer, que não aumentaram? Seria R$ 900. É isso que eles querem para o Brasil. É por isso que eles seguem o Javier Milei", disse Lula a Flávio, que garantiu que manteria o reajuste para todas as categorias, apesar de sua campanha ter prometido um corte de cerca de R$ 250 bilhões. O senador, por sua vez, foi um dos que mais mencionou dívida e dinheiro, questionando o presidente Lula pela dívida bruta do governo que chegou a R$ 11,1 trilhões em agosto. "O atual governo está deixando uma dívida de R$ 11 trilhões para você, trabalhador, pagar. Isso aqui dá uma taxa de juros que ele tem que pagar, em torno de 14%, porque é um governo gastador, vocês sabem. Ele gasta muito e para conseguir cobrir isso, tem que aumentar os impostos. Lula, por que você está deixando as famílias brasileiras tão endividadas, já que uma vez que a dívida do governo cresce, a dívida das famílias cresce junto?", questionou Flávio, no segundo bloco. O Sistema Único de Saúde (SUS) foi assunto entre os candidatos e ficou entre as 50 palavras mais mencionadas, assim como filho e banco. SUS foi citado 20 vezes no total, sendo 12 por Flávio, que citou a mesma quantidade de vezes a palavra uísque, acusando o presidente de ter sido presentado com uma garrafa de R$ 500 mil dada supostamente por Daniel Vorcaro. Banco foi usado por Lula não só em referência ao Banco Master, de Vorcaro, que deixou um rombo estimado em R$ 60 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e foi preso em novembro do ano passado, após a liquidação da instituição financeira. Mas também citando o subsídio da taxa de juros do Banco do Brasil para investimentos no agronegócio e autonomia do Banco Central sobre a taxa básica de juros, a Selic. Já filho aparece mais no vocabulário de Flávio, que voltou a questionar Lula sobre o filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a suposta relação com a lobista Roberta Luchsinger. Ambos são investigados pela Polícia Federal (PF) por suposto tráfico de influência. "O filho dele está lá na Europa, na Espanha. O Lulinha mora no mesmo bairro lá do Vini Jr., um jogador de futebol famoso, que venceu na vida, que tem condições de morar num lugar caro, mas quem que está sustentando o Lulinha? É a Roberta Luchsinger?", questionou Flávio. No primeiro turno, Flávio obteve cerca de 2,2 milhões de votos a mais que Lula nas urnas, mas as últimas pesquisas de intenção de voto mostram empate técnico entre os dois. O último Datafolha, divulgado na última quinta-feira (22), mostrou Flávio Bolsonaro com 47% das intenções de voto, enquanto Lula com 46%, empatados na margem de erro, de dois pontos para mais ou para menos. Considerando apenas votos válidos, excluindo brancos e nulos, ambos estariam numericamente com 50%. No primeiro turno, Flávio obteve cerca de 2,2 milhões de votos a mais que Lula nas urnas, mas as últimas pesquisas de intenção de voto mostram empate técnico entre os dois Agustin Marcarian/Reuters

CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real