O estrategista Iván Riveros, do Citi, aponta que o Real já incorporou parte do prêmio de risco eleitoral nas últimas semanas, indicando uma disrupção na dinâmica cambial doméstica. A precificação antecipada de eventos políticos tende a gerar volatilidade e distorções de preço, à medida que a demanda por proteção cambial ou ativos dolarizados aumenta, afetando a liquidez e o diferencial de juros. Essa dinâmica impacta o USDBRL, com potencial de estabilização ou reversão após o evento, e pode influenciar o desempenho de exportadoras como VALE3 e SUZB3, além de importadoras como MGLU3. A valorização do dólar frente ao Real pode beneficiar investidores com posições em ativos denominados em moeda estrangeira ou empresas com receitas dolarizadas, enquanto empresas com custos em dólar são prejudicadas. Em 2018, o Real também experimentou forte depreciação pré-eleitoral, chegando a R$4,20 contra o dólar, com posterior reversão parcial após a definição do pleito. Acompanhar os próximos debates eleitorais e pesquisas de intenção de voto será crucial para calibrar a extensão desse prêmio, especialmente antes da decisão do COPOM em 2026-09-17. No médio prazo (3-6 meses), a resolução do cenário eleitoral, independentemente do resultado, tende a reduzir parte da incerteza, permitindo uma reavaliação do câmbio com base em fundamentos econômicos mais sólidos.
Nas próximas 4-8 semanas, o USDBRL deve permanecer volátil, com viés de alta, podendo testar a resistência em R$5,25-R$5,30, à medida que as pesquisas eleitorais se intensificam. Um gatilho para reversão seria a sinalização de políticas econômicas mais conservadoras ou uma melhora na percepção de risco fiscal.
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