Mondelez espera acelerar vendas de chocolate no Brasil após ciclo de reajustes

A Mondelez International, dona de marcas como Lacta, Oreo e Trident, espera que o volume de vendas no Brasil acelere nos próximos trimestres, à medida que deixa para trás a base de comparação dos reajustes de preço e da redução de embalagens feitos no chocolate no ano passado. A avaliação foi feita pelo diretor de operações, Luca Zaramella, em teleconferência com analistas na última quinta-feira (29), após a divulgação do balanço do terceiro trimestre. Segundo Zaramella, o Brasil foi a exceção em uma América Latina em que México, Brasil e os demais países da região registraram, em geral, avanço de volume e mix. A diferença ficou no chocolate brasileiro. “No Brasil, temos um negócio de chocolate relevante e de grande porte, em que reajustamos preços de forma cuidadosa”, disse. Parte desses reajustes, segundo ele, veio da redução do tamanho de parte do portfólio. O executivo afirmou que o chocolate no Brasil já está virando o jogo em volume e mix, que a empresa manteve a penetração nos lares e vem ganhando participação de mercado de forma consistente nos últimos trimestres. “À medida que começarmos a superar a base dos reajustes de preço e das mudanças de embalagem do ano passado, vocês vão ver volume e mix acelerando também no Brasil”, disse. A outra frente de crescimento no país é a distribuição. O presidente do conselho e executivo-chefe, Dirk Van de Put, informou que a companhia já está presente em mais de 1 milhão de lojas no Brasil. Zaramella estimou que, em mercados como China, Índia e Brasil, a empresa provavelmente ainda tem cerca de 25% de distribuição numérica a conquistar. Ele acrescentou que o universo de pontos de venda na América Latina continua crescendo e que há espaço para aumentar o número de produtos da empresa em cada loja. Van de Put descreveu o consumidor de México e Brasil como robusto e disse que a confiança nos mercados emergentes continua resiliente. Na apresentação de resultados, porém, a companhia ponderou que essa confiança está perdendo força e que os consumidores vêm administrando o orçamento com embalagens menores e canais de preço mais baixo. O custo do cacau, principal insumo do chocolate, não deve ser um obstáculo no curto prazo, segundo o diretor financeiro, Ameet Patel. Ele projetou que o ciclo 2025-2026 termine com sobra recorde de cerca de 500 mil toneladas, o que, segundo ele, seria suficiente para absorver o déficit de aproximadamente 190 mil toneladas estimado para 2026-2027. A projeção de déficit, explicou, decorre da formação fraca da safra principal na Costa do Marfim e em Gana e da expectativa de um El Niño forte. Na América Latina, região em que a empresa não detalha números por país, a receita líquida subiu 12% no trimestre, para US$ 1,39 bilhão. Sem efeitos de câmbio, o crescimento foi de 6,9%, puxado principalmente por preço (6,1 pontos percentuais), com contribuição de 0,8 ponto de volume e mix. Segundo a companhia, o avanço foi liderado por biscoitos e gomas de mascar. Zaramella disse que a Argentina, administrada com foco em geração de caixa, foi o principal freio ao volume na região. Excluído o país vizinho, o volume e mix do chocolate na América Latina cresceu entre 4% e 5% no trimestre, segundo ele. O lucro operacional ajustado da região subiu 29,8%, para US$ 196 milhões. No consolidado, a receita líquida da Mondelez cresceu 2,3%, para US$ 9,97 bilhões. O lucro líquido subiu 75,6%, para US$ 1,3 bilhão, impulsionado principalmente pela variação favorável na marcação a mercado de derivativos de matérias-primas e câmbio. O lucro operacional ajustado avançou 17% em moeda constante, o que a empresa atribuiu a custos menores de matéria-prima e a ganhos de produtividade nas fábricas. A companhia manteve a projeção de crescimento orgânico de receita de pelo menos 2% em 2026 e disse estar confiante em um forte crescimento do lucro por ação em 2027. Diretor de operações, Luca Zaramella Reprodução/Linkedin

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