O ChatGPT já representa cerca de um quinto do volume de pesquisas realizadas no Google, segundo estimativa apresentada por um executivo da OpenAI. O dado indica o avanço da inteligência artificial como alternativa aos mecanismos tradicionais de busca e reforça a disputa por espaço na forma como as pessoas encontram informações na internet. A declaração foi feita por Adam Fry, líder de produtos para consumidores do ChatGPT. Na ocasião, o executivo também apresentou números sobre o crescimento da plataforma, o uso do recurso de voz e a criação de imagens por inteligência artificial. Apesar da dimensão dos números, a comparação entre os dois serviços exige cautela. A OpenAI não detalhou a metodologia utilizada para estimar o volume de pesquisas do Google, e a quantidade de consultas não significa necessariamente que o ChatGPT tenha conquistado usuários diretamente do buscador. : FGTS 2026: nascidos em novembro já podem retirar dinheiro pelo saque-aniversário ChatGPT cresce e amplia sua presença entre os usuários Imagem: Getty Images Os números apresentados por Fry ajudam a dimensionar a expansão do serviço. Segundo o executivo, o ChatGPT chegou a 1,2 bilhão de usuários ativos semanais, após conquistar 200 milhões de novos usuários em aproximadamente dois meses. O recurso de voz também ganhou espaço. Atualmente, cerca de 250 milhões de pessoas utilizam semanalmente as funcionalidades relacionadas à comunicação por áudio, incluindo ditado e conversas faladas. Outro dado apresentado pela OpenAI envolve a geração de imagens. A plataforma é utilizada para criar aproximadamente 1,5 bilhão de imagens por semana, demonstrando que o uso da inteligência artificial vai muito além de consultas e pesquisas convencionais. A expansão está relacionada à diversificação das atividades realizadas na plataforma. Além de escrever textos e auxiliar na programação, o ChatGPT passou a ser utilizado para pesquisar informações atualizadas, comparar produtos, organizar viagens e esclarecer dúvidas sobre diferentes assuntos. Como a OpenAI calcula os 20% em relação ao Google? A comparação apresentada pela empresa considera as consultas que levam o ChatGPT a realizar pesquisas na internet. Segundo Fry, cada pergunta que aciona uma busca na web é contabilizada como uma pesquisa. Isso significa que uma única conversa pode gerar várias consultas. Se uma pessoa fizer uma pergunta inicial e, em seguida, apresentar outras dúvidas que exijam novas pesquisas na internet, cada uma dessas interações poderá entrar na contagem. O critério ajuda a entender o crescimento do recurso, mas também levanta questionamentos sobre a comparação com o Google. Uma pesquisa tradicional e uma consulta realizada dentro de uma conversa com inteligência artificial não representam necessariamente o mesmo comportamento. A OpenAI também não apresentou publicamente a metodologia completa utilizada para chegar ao percentual de 20%, nem detalhou qual volume de buscas do Google serviu como referência. Google ainda concentra uma vantagem importante Mesmo com o crescimento do ChatGPT, o Google continua ocupando uma posição dominante no mercado de pesquisas online. A empresa mantém uma estrutura consolidada, com resultados tradicionais, ferramentas de navegação e recursos de inteligência artificial integrados ao próprio buscador. Um dos principais movimentos nessa direção é o Modo IA, que permite apresentar respostas elaboradas por inteligência artificial diretamente na página de pesquisas. O recurso aproxima a experiência do Google daquela oferecida pelo ChatGPT. A chegada desses recursos também dificulta a comparação entre as plataformas. Parte das pesquisas que antes eram realizadas exclusivamente nos resultados tradicionais do Google agora pode ser respondida pelo próprio sistema de inteligência artificial da empresa. O Gemini, assistente de inteligência artificial do Google, também disputa espaço nesse mercado. Portanto, a concorrência não se limita à comparação entre o buscador tradicional e o ChatGPT. ChatGPT já representa uma ameaça real ao modelo de buscas tradicional? O avanço da plataforma indica uma mudança importante no comportamento dos usuários. Durante décadas, os mecanismos de busca funcionaram principalmente como intermediários: apresentavam páginas, links e resultados para que as pessoas encontrassem as informações desejadas. Com o ChatGPT, a dinâmica é diferente. Em vez de receber uma lista de páginas, o usuário pode obter uma resposta organizada, pedir explicações adicionais e continuar a conversa sem precisar iniciar uma nova pesquisa. Essa experiência pode reduzir a necessidade de acessar vários sites para encontrar uma informação. Também permite que o usuário mantenha o contexto de uma pesquisa por mais tempo, algo que os mecanismos tradicionais nem sempre oferecem da mesma maneira. Entretanto, isso não significa que os sites e os buscadores perderão sua relevância. A consulta direta a fontes, a comparação de informações e o acesso a conteúdos especializados continuam sendo necessidades importantes. Para empresas, produtores de conteúdo e profissionais de marketing digital, a mudança também representa um desafio. Além de disputar posições nos resultados tradicionais do Google, será cada vez mais relevante compreender como os conteúdos são identificados e utilizados pelas ferramentas de inteligência artificial. OpenAI pretende unificar os modos Chat e Work Outro ponto mencionado por Adam Fry envolve os próximos passos da experiência do ChatGPT. Segundo o executivo, a OpenAI pretende aproximar os modos Chat e Work, eliminando a necessidade de o usuário escolher manualmente entre eles. A proposta é tornar a plataforma mais simples e permitir que o próprio sistema identifique quando uma solicitação exige apenas uma resposta rápida ou quando precisa de uma execução mais elaborada. Na prática, a mudança pode facilitar o uso da ferramenta em atividades cotidianas e profissionais. Uma pergunta simples poderia receber uma resposta direta, enquanto tarefas mais complexas poderiam envolver pesquisa, análise de informações e produção de materiais. Fry não apresentou uma data específica para a implementação da mudança, mas indicou que ela está entre os próximos passos da empresa. O que esperar da disputa entre ChatGPT e Google? (Imagem: Linda Parton/Shutterstock) A estimativa de 20% apresentada pela OpenAI mostra que o ChatGPT conquistou espaço relevante em uma atividade historicamente dominada pelo Google. O crescimento também demonstra que parte dos consumidores já considera a inteligência artificial uma alternativa para encontrar informações na internet. Ainda assim, o percentual precisa ser interpretado com cautela. A ausência de uma metodologia pública detalhada impede uma comparação definitiva entre os serviços, especialmente porque os critérios de contagem podem ser diferentes. A disputa deve avançar à medida que as duas empresas ampliem seus recursos de inteligência artificial e tentem oferecer experiências de pesquisa mais completas. Para o usuário, a principal consequência pode ser a possibilidade de escolher entre diferentes maneiras de encontrar, compreender e utilizar informações. Conclusão O avanço do ChatGPT sobre o mercado de buscas mostra que a inteligência artificial está mudando a maneira como as pessoas acessam informações. Embora o Google ainda mantenha uma posição dominante, a expansão da plataforma da OpenAI demonstra que existe espaço para novas formas de pesquisa, mais interativas e personalizadas. Os 20% anunciados pela empresa representam um marco nessa disputa, mas não significam que o Google esteja perdendo o controle do mercado. O cenário aponta para uma concorrência cada vez mais acirrada, na qual a capacidade de oferecer respostas rápidas, confiáveis e completas será determinante para conquistar os usuários. O post Google enfrenta avanço do ChatGPT, mas dados não significam perda de 20% das buscas foi publicado originalmente em Seu Crédito Digital. A reprodução não autorizada deste conteúdo é proibida e monitorada. 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