Levantamento da KPMG revelou uma queda de 51% no número de operações de fusões e aquisições (M&A) no setor de consumo, com empresas e investidores em "compasso de espera". O principal mecanismo por trás dessa retração é a alta taxa de juros, que eleva o custo de capital para aquisições e pressiona as avaliações de empresas, além da incerteza no cenário econômico e político. Essa dinâmica afeta negativamente empresas do varejo de consumo discricionário, como MGLU3 e LREN3, e bancos de investimento como BPAC11, que dependem das receitas de advisory. Para o investidor brasileiro, o cenário de juros altos e menor atividade de M&A no consumo pode prolongar a pressão sobre ações de empresas domésticas sensíveis à Selic e ao consumo, como aquelas do setor de varejo. Historicamente, períodos de alta incerteza e juros elevados, como a crise financeira de 2008, viram quedas significativas no volume de M&A, com recuperação posterior em 2009-2010. Os próximos gatilhos a monitorar incluem as decisões de política monetária do Federal Reserve (FOMC em 16 de setembro) e do Banco Central do Brasil (COPOM em 17 de setembro), além dos dados de inflação e emprego que podem sinalizar um pivô nos juros. No médio prazo (6-12 meses), uma eventual flexibilização monetária global e maior estabilidade política poderiam destravar o capital represado, impulsionando uma nova onda de fusões e aquisições no setor.
A atividade de M&A no setor de consumo deve permanecer contida nos próximos 6-9 meses, especialmente se os bancos centrais, como o Fed e o BCB, mantiverem uma postura hawkish. Um pivô na política monetária, sinalizado por dados de inflação e emprego, ou uma melhora na estabilidade política global seriam os principais gatilhos para uma potencial recuperação da confiança e do volume de transações no médio prazo (12-18 meses).
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