Investidores estrangeiros injetaram R$ 1,5 bilhão na B3 na última sexta-feira (10), elevando o Ibovespa (IBOV) em 2,97%, de 172 mil para 177 mil pontos, na maior entrada diária de capital externo desde 10 de abril. Este fluxo robusto foi desencadeado por dados de inflação abaixo do esperado, que reforçam a probabilidade de um ciclo de corte de juros mais agressivo ou prolongado pelo Banco Central. A melhoria na percepção de risco e a redução do custo de capital tendem a beneficiar ações brasileiras, especialmente as sensíveis a juros baixos, como varejistas (MGLU3, LREN3) e construtoras (CYRE3, MRVE3), além de ETFs como o BOVA11. A valorização do Ibovespa e o potencial de apreciação do BRL (USDBRL) atraem mais capital, reforçando um ciclo positivo e diminuindo o prêmio de risco para ativos domésticos. Um paralelo pode ser traçado com o Q1 2023, quando a expectativa de desinflação e cortes de juros gerou um fluxo estrangeiro de R$ 5-7 bilhões, impulsionando o IBOV em cerca de 10%. O próximo gatilho crucial a monitorar será a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), cujas decisões sobre a taxa Selic ditarão o ritmo do fluxo. No médio prazo, a manutenção de uma trajetória inflacionária benigna e a continuidade dos cortes de juros podem sustentar o fluxo estrangeiro, embora riscos fiscais permaneçam como um contraponto.
Nas próximas 2-4 semanas, espera-se que o Ibovespa mantenha o viés de alta, com potencial para testar a resistência de 180.000 pontos, especialmente se os próximos dados de inflação (CPI) reforçarem a tese de cortes de juros. Contudo, um aumento inesperado na inflação ou preocupações fiscais podem reverter rapidamente esse fluxo positivo, com o IBOV podendo recuar para a faixa de 170.000-172.000 pontos.
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