Netanyahu destaca apoio de Trump na véspera de eleição e sugere retomar guerra contra o Irã

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, exaltou nesta segunda-feira o apoio de Donald Trump na véspera das eleições parlamentares no país, sugerindo que os dois líderes poderão retomar a guerra contra o Irã caso ele consiga a reeleição no cargo. "O presidente Trump veio com uma amizade que nunca existiu antes entre um primeiro-ministro israelense e um presidente americano. E é improvável que algum dia voltemos a ter um presidente tão amigável", disse Netanyahu, em uma aparição na TV. "Ele ainda tem mais dois anos de mandato e está pedindo a vocês que votem em mim." Em uma publicação nas redes sociais no domingo, Trump, que lançou a guerra contra o Irã ao lado de Netanyahu em fevereiro, afirmou: "Votem em Bibi Netanyahu para primeiro-ministro, temos que terminar o trabalho que começamos!" Netanyahu afirmou que Trump estava disposto a tomar medidas que "finalmente, finalmente, eliminariam a ameaça iraniana", mas apenas enquanto ele próprio permanecesse no poder. "E eu já instruí o Mossad e as Forças de Defesa de Israel (FDI) a derrubar esse regime porque essa é a única maneira de pôr fim a essa ameaça", disse Netanyahu, referindo-se ao principal serviço de inteligência e às Forças Armadas de Israel. Questionada sobre as declarações de Netanyahu, a porta-voz adjunta da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou: "Como declarou o presidente Trump, o Irã está em condições muito ruins, tanto econômica quanto militarmente, e o bloqueio continuará plenamente em vigor, com um volume recorde de barris de petróleo passando pelo Estreito de Ormuz." "Os Estados Unidos não atacarão o Irã em nenhum momento antes das eleições de meio de mandato", acrescentou Kelly por e-mail, referindo-se à votação de 3 de novembro nos EUA. O principal adversário de Netanyahu, o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Gadi Eisenkot, também se manifestou nas redes sociais, elogiando Trump como "um verdadeiro amigo de Israel". "Valorizo seus esforços e seu compromisso com a segurança de Israel e estou confiante de que ele trabalhará em plena cooperação com qualquer líder escolhido pelo povo." A votação de terça-feira, a primeira em Israel desde os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, será a primeira oportunidade para os eleitores julgarem nas urnas a pior falha de segurança em gerações e as guerras em múltiplas frentes que se seguiram. Com Netanyahu já à frente do governo mais à direita da história de Israel, a política do país se deslocou ainda mais para a direita. Quase todos os partidos liderados por judeus, incluindo o de Eisenkot, defensor de uma linha dura, agora se opõem à "solução de dois Estados", que serviu de base para décadas de negociações de paz com os palestinos. Mas muitos eleitores afirmam que a política de divisão promovida pelo líder que há mais tempo ocupa o cargo de primeiro-ministro em Israel enfraquece o país. As pesquisas indicam que o Likud, partido de Netanyahu, perderá cadeiras, o que poderá tirar da coalizão formada por partidos de direita, extrema direita e ultraortodoxos sua estreita maioria parlamentar. Eisenkot e uma série de partidos de oposição, que vão do que restou da centro-esquerda à direita, também não têm um caminho claro para tirá-lo do poder. Netanyahu, de 77 anos, é um mestre incomparável da sobrevivência política: na única ocasião desde 2009 em que seus adversários conseguiram afastá-lo temporariamente do cargo de primeiro-ministro, foram necessárias quatro eleições inconclusivas em dois anos para tirá-lo do poder. Ele voltou 18 meses depois. Nenhum dos lados planejava grandes eventos públicos para esta segunda-feira. Mas ambos fizeram publicações nas redes sociais, insistindo nos principais temas da campanha eleitoral — para Netanyahu, a ideia de que ele é o único líder com determinação suficiente para enfrentar os inimigos de Israel; para seus adversários, a de que sua política de divisão enfraqueceu o país. Netanyahu compartilhou nesta segunda-feira um vídeo gerado por inteligência artificial do líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, cujo pai, Ali Khamenei, foi morto na primeira noite dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em fevereiro. Deitado em uma cama de hospital, o Khamenei mais jovem diz que seu voto seria "definitivamente contra Bibi. Mais um mandato como este e vou encontrar meu pai antes do esperado". No domingo, Netanyahu publicou uma imagem gerada por computador de uma nuvem em forma de cogumelo sobre Tel Aviv, afirmando que Israel enfrentava uma ameaça existencial do Irã. Eisenkot reagiu acusando Netanyahu de "recorrer a uma campanha de disseminação do medo, mentiras e ameaças — incluindo imagens de bombas nucleares no coração de Tel Aviv. Desta vez, isso não vai funcionar para ele". O apoio de Trump a Netanyahu também traz riscos políticos para o presidente americano, a uma semana de eleições legislativas nas quais seu Partido Republicano tenta se manter no poder. A guerra contra o Irã é profundamente impopular nos Estados Unidos e é responsabilizada por uma disparada dos preços, especialmente dos combustíveis. Os confrontos de maior intensidade estão suspensos há meses, após negociações de cessar-fogo realizadas sem a participação de Israel.

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