O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, afirmou nesta terça-feira (27) ter ficado "surpreso" com a decisão do senador de deixar o país com destino aos Estados Unidos. Ele também declarou não saber da localização de Flávio ou da família dele. "Nós estamos surpresos, porque ontem conversamos sobre a necessidade de que Flávio, com os 60 milhões de votos que teve, assumisse esse papel de liderança na oposição, que é importante. Nós temos um governo que claramente tem feito mal ao país, na nossa avaliação, e é necessário estarmos vigilantes agora, neste final de ano e nos quatro anos subsequentes, para que façamos a nossa parte. Já fomos mandatados por uma parte expressiva da população brasileira", respondeu o líder da oposição no Senado. "Nós não temos ainda, vou reiterar, notícia do seu paradeiro". Marinho relatou que a última resposta que teve do ex-presidenciável foi hoje pela manhã. Nesta mensagem, Flávio teria falado a ele que iria "dar um tempo". Eles estiveram juntos pela última vez, segundo o aliado, ontem pela tarde em uma reunião com outras pessoas próximas do senador e os advogados dele. "Hoje pela manhã, quando fomos procurados por vários veículos de imprensa, tentamos contatar o Flávio e as pessoas que estavam no seu entorno. Recebi, por parte dele, uma mensagem de texto no telefone, em que ele dizia que iria dar um tempo hoje e que depois conversaria conosco. E pronto. Foi a única comunicação que tive com ele, acho que em torno das 8h da manhã", explicou o cacique do PL. Como mostrou o Valor, aliados de Flávio dizem que ele deixou o Brasil nesta terça rumo aos EUA, após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que ele entregasse os seus passaportes. O senador também destacou não saber se o presidente dos EUA, Donald Trump, irá conceder asilo ou visto para que Flávio e a família dele permaneçam em solo americano. Marinho disse tampouco saber qual foi a rota utilizada pelo filho de Bolsonaro para sair do país. Uma autoridade do governo americano confirmou que o senador receberá visto e terá o ingresso no país liberado. Mesmo tendo evidenciado a surpresa da cúpula do PL com essa notícia a respeito do ex-candidato à Presidência, Marinho minimizou a fuga do aliado e alegou que ele estaria sofrendo perseguição política no Brasil. Na visão dele, não há justificativa para a existência do inquérito que apura o suposto envolvimento de Flávio com o advogado Willer Tomaz, investigado por corrupção e lavagem de dinheiro. Ele defende que Moraes foi informado de que não haveria uma conta bancária de uso conjunto entre os dois. "O principal argumento para a manutenção desse inquérito cai por terra às 10h da manhã do domingo, dia da eleição. Às 20h44, é proclamado o resultado das eleições. Sete minutos depois, a Polícia Federal, comandada pelo senhor Andrei Rodrigues, requer medidas cautelares contra o senhor Flávio Bolsonaro. É uma coincidência que precisa ser analisada pela sociedade. E, uma hora e meia depois, um pouco mais, isso é concedido pelo senhor Alexandre de Moraes", questiona o líder da oposição. "Numa democracia, é muito estranho que um candidato a presidente da República, após a proclamação do resultado, seja objeto de medida cautelar, em um inquérito em que o principal motivo caiu por terra, para retenção dos seus passaportes. Parece-me uma preparação para uma coisa mais persecutória", diz Marinho.
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