Fotos: Pixabay Os custos de produção da soja e do milho para a safra 2026/27 em Mato Grosso registraram alta em relação ao ciclo anterior, pressionando as margens de rentabilidade dos produtores. O cenário é agravado pelo encarecimento dos insumos agrícolas, pelas despesas operacionais e pelo risco de perdas de produtividade associado ao fenômeno El Niño. Os dados fazem parte do Projeto Custo de Produção Agropecuária (CPA-MT), desenvolvido pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em parceria com o Senar-MT, e foram divulgados em outubro de 2026. Receba no seu celular atualizações em tempo real, enquetes interativas e tudo o que impacta o dia a dia no campo: entre agora no Whatsapp do Canal Rural! Custo do milho sobe 14,6% e supera receita do produtor Para a safra 2026/27 de milho, o Custo Operacional Efetivo (COE) foi estimado em R$ 5.508,23 por hectare, avanço de 14,61% em relação à temporada anterior. Na comparação mensal, a elevação foi de 0,01%. Segundo o Imea, o aumento foi impulsionado principalmente pelos preços dos insumos, pelas despesas financeiras e pelos custos de pós-produção. Considerando o preço médio de comercialização de R$ 48,69 por saca, registrado em setembro, e a produtividade projetada de 119,64 sacas por hectare, a receita bruta estimada é de R$ 5.824,88 por hectare, queda de 1,46% em relação à safra anterior. Apesar da redução das margens, a receita ainda supera o COE em 5,75%. Entretanto, quando são consideradas as despesas com depreciação e pró-labore, o Custo Operacional Total (COT) chega a R$ 6.070,09 por hectare, valor 4,04% superior à receita projetada. Na prática, isso significa que, embora a receita estimada seja suficiente para cobrir os custos operacionais efetivos, ela não cobre integralmente os custos totais da atividade. O cenário exige atenção dos produtores, uma vez que eventuais perdas de produtividade ou novas quedas nos preços de comercialização podem comprometer ainda mais a rentabilidade. No mercado físico, as cotações do milho também apresentaram recuo em Mato Grosso. O preço médio ficou em R$ 46,50 por saca, queda semanal de 2,60%, refletindo a menor atratividade das negociações e a pressão das cotações internacionais. Soja: custo de produção ultrapassa R$ 8,2 mil por hectare Na cultura da soja, o custo total de produção para a safra 2026/27 foi estimado em R$ 8.210,31 por hectare, aumento de 6,96% em relação ao ciclo 2025/26. Entre os principais fatores que explicam a elevação está o aumento de 23,85% nas despesas com operações mecanizadas, influenciado pelos impactos dos conflitos no Oriente Médio. Outro fator de pressão foi a valorização de 10,10% nos preços dos defensivos agrícolas. Com isso, o custo de custeio da lavoura chegou a R$ 4.324,87 por hectare, alta de 3,43%, equivalente a R$ 143,61 por hectare, na comparação entre as duas safras. O aumento só não foi maior devido à redução de 21,96% nos preços das sementes, que ajudou a compensar parcialmente a elevação das demais despesas. El Niño aumenta riscos para a rentabilidade Além da pressão dos custos, os produtores de soja de Mato Grosso enfrentam incertezas relacionadas às condições climáticas da safra 2026/27. Segundo o Imea, os riscos associados ao El Niño podem afetar a produtividade das lavouras e, consequentemente, reduzir a receita bruta dos agricultores. Diante desse cenário, o instituto destaca a importância da atenção aos preços de comercialização, já que a combinação de custos elevados e possíveis perdas de produtividade tende a estreitar ainda mais as margens financeiras da atividade. O post Custo de produção da soja e do milho dispara em MT e pressiona rentabilidade do produtor, diz Imea apareceu primeiro em Canal Rural.
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