Braskem (BRKM5) tenta destravar dívida de US$ 11 bilhões com nova proposta a credores A Braskem (BRKM5) prepara uma nova proposta aos credores para tentar avançar nas negociações envolvendo aproximadamente US$ 11 bilhões em dívidas. A petroquímica enfrenta resistência às condições de sua reestruturação financeira, enquanto aumenta a pressão por um acordo antes do prazo para apresentação do plano definitivo de recuperação extrajudicial. A informação foi divulgada pelo Valor Econômico e repercutida nesta segunda-feira (19) no relatório de renda fixa da XP Investimentos. Segundo a publicação, a pressão para que as partes encontrem uma solução aumentou nas últimas semanas. Um dos principais pontos de impasse é a necessidade de uma injeção de capital. Conforme informações divulgadas anteriormente pela Reuters e pela Bloomberg, os credores chegaram a exigir um aporte de US$ 3 bilhões dos principais acionistas, enquanto alternativas envolvendo valores menores enfrentaram resistência nas negociações. Credores da Braskem pressionam por aporte bilionário As negociações ganharam força depois que a Braskem protocolou, em 24 de agosto, um pedido de recuperação extrajudicial envolvendo aproximadamente US$ 10,9 bilhões em dívidas financeiras sem garantias reais. Na ocasião, a proposta inicial contou com a adesão de credores responsáveis por 39,6% dos créditos abrangidos pelo processo. Para a homologação do plano definitivo, a companhia precisa obter apoio de credores que representem mais de 50% dos créditos sujeitos à reestruturação. O plano preliminar estabelece parâmetros para a renegociação das obrigações financeiras, incluindo possibilidades de alongamento dos vencimentos, carência com capitalização de juros e eventual conversão de parte das dívidas em participação acionária. As condições definitivas, entretanto, ainda dependem de acordo entre a petroquímica, seus principais acionistas e os credores. A disputa sobre os aportes envolve também a Petrobras (PETR4) e a IG4 Capital. Segundo a Reuters, os acionistas preparavam uma contraproposta à exigência de US$ 3 bilhões, diante das dificuldades para atender ao montante solicitado. O que acontece se a Braskem não chegar a um acordo? A recuperação extrajudicial da Braskem teve seu processamento deferido pela Justiça em 28 de agosto. O procedimento permite que a companhia negocie determinadas obrigações financeiras sob proteção judicial, enquanto busca uma solução para reorganizar seu endividamento. O prazo previsto para apresentação de um plano atualizado é de 90 dias a partir do protocolo do pedido, realizado em 24 de agosto. De acordo com a análise da XP Investimentos sobre a recuperação extrajudicial da companhia, caso não sejam cumpridas as condições necessárias para a continuidade do processo, incluindo a obtenção do apoio exigido dos credores, o plano preliminar poderá perder seus efeitos, ampliando as incertezas sobre a reestruturação. A instituição também chama atenção para o cenário operacional da petroquímica, marcado pela deterioração das margens do setor e pelas dificuldades de geração de caixa. Segundo levantamento da XP, a Braskem registrou consumo de caixa de R$ 5,9 bilhões em 2025 e de R$ 4,6 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026. A avaliação da instituição aponta ainda que uma recuperação mais consistente das margens petroquímicas poderá ocorrer somente entre 2027 e 2029, o que aumenta a importância de uma solução para o endividamento no curto prazo. Além das condições desfavoráveis da indústria petroquímica global, a companhia enfrenta impactos financeiros relacionados ao afundamento do solo em Maceió, em Alagoas. Mudança de controle ocorre em meio à crise financeira Paralelamente às negociações com os credores, a Braskem atravessa uma reorganização societária. Nesta segunda-feira (19), a companhia comunicou ao mercado o resultado da oferta pública de aquisição de ações (OPA) vinculada à sua mudança de controle. Com a liquidação financeira da operação, prevista para 21 de outubro, o FIP Shine passará a deter 50,11% do capital votante e 34,33% do capital total da petroquímica. Os acionistas titulares de ações ordinárias remanescentes também poderão aderir à oferta durante o período adicional, que termina em 16 de novembro. A mudança no controle ocorre em um momento decisivo para a Braskem, que precisa conciliar a reorganização societária com a renegociação de aproximadamente US$ 11 bilhões em dívidas. Enquanto busca avançar nas tratativas, a companhia segue diante do desafio de alcançar o apoio necessário dos credores para apresentar seu plano definitivo de recuperação extrajudicial.
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