O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixará como legado um Orçamento para 2027 com previsão de superávit primário, mesmo considerando as medidas anunciadas pela gestão federal. “Na parte fiscal, nós estamos entregando superávit para o ano que vem no Orçamento, considerando todas essas medidas que o presidente anunciou”, disse em entrevista ao portal Metrópoles. “Deixando para o próximo governo, seja qual for ele, uma previsão de superávit com tudo colocado”, completou. “Do ponto de vista fiscal, nós melhoramos em R$ 200 bilhões a conta do Brasil em relação ao governo Bolsonaro, que não mexeu em nada na agulha que recebeu do governo Temer”, afirmou. Na reta final da campanha eleitoral, o governo Lula anunciou uma série de medidas com impacto fiscal, como o reajuste de 15% do Bolsa Família, a ampliação de ações para baratear os combustíveis em meio ao conflito no Oriente Médio e o Desenrola 3.0. Também foram anunciadas medidas relacionadas às chamadas “bets”, uma nova modalidade do Pé-de-Meia voltada a universitários e uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para instituir tarifa zero no transporte público aos fins de semana e feriados. Para Durigan, “tudo que está sendo feito está numa esteira de racionalidade fiscal e racionalidade do projeto do presidente Lula”. Segundo o ministro, o governo identificou e definiu suas prioridades de alocação de recursos. Como mostrou o Valor, as iniciativas anunciadas durante a campanha à reeleição podem ter impacto de R$ 53,6 bilhões em 2027, sendo R$ 45,7 bilhões em aumento de despesas e R$ 7,9 bilhões em redução de receitas, conforme estimativas iniciais da equipe econômica. Especialistas, porém, projetam um impacto maior. Nos próximos dias, o governo enviará ao Congresso Nacional uma proposta de alteração do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027. A ideia é remanejar cerca de R$ 20 bilhões para acomodar parte dos custos do chamado “pacote de bondades” no Orçamento, sem elevar o limite total de despesas. Durigan também criticou a proposta do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial, de congelar dívidas de pessoas físicas e jurídicas para tentar reduzir o endividamento no país. Segundo o ministro, a medida equivaleria a “dar calote na economia brasileira” e seria de “impossível implementação”. Washington Costa/MF
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