Intenção de Compra de Imóveis Bate Recorde no Brasil Apesar de Juros Altos

A intenção de compra de imóveis no Brasil alcançou 52% no segundo trimestre de 2026, o maior patamar registrado desde o início da série histórica em 2019, segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica para a Abrainc. Esse avanço de três pontos percentuais em relação a 2025 reflete uma demanda robusta por moradia, mesmo com o ambiente de juros altos que encarece o financiamento imobiliário. O mecanismo econômico por trás disso sugere que a percepção de valor do imóvel e a necessidade de moradia superam, em parte, o custo imediato do capital, criando uma demanda reprimida. Para o investidor brasileiro, o cenário aponta para uma possível valorização do setor imobiliário, caso a Selic inicie um ciclo de queda, embora a conversão em vendas seja o ponto crítico. Um paralelo histórico pode ser traçado com o boom imobiliário brasileiro pré-2014, onde a demanda aquecida, impulsionada por renda e crédito, levou a valorizações de 10-20% ao ano, embora em um contexto de juros em queda. O próximo gatilho a monitorar é a decisão do Banco Central sobre a Selic e os dados de vendas e lançamentos do setor. No médio prazo, se a intenção se converter em vendas, o setor pode experimentar um ciclo de crescimento, mas o risco permanece elevado caso os juros se mantenham elevados.

Análise

Nos próximos 3-6 meses, o mercado imobiliário brasileiro testará a resiliência da demanda. Se o Banco Central iniciar um ciclo de cortes de juros no final de 2026, a conversão da intenção de compra em vendas efetivas pode acelerar, beneficiando CYRE3 e MRVE3. Contudo, a manutenção de juros altos limitará essa conversão, mantendo a pressão sobre o setor.

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