O dólar interrompeu a sequência de perdas consecutivas e voltou a ganhar força com incertezas sobre o cenário fiscal doméstico e precificação de fim de cortes na taxa Selic. Nesta quinta-feira (28), a divisa norte-americana encerrou cotada a R$ 5,3878, alta de 0,89%, no mercado à vista. O movimento local destoou do desempenho do dólar global. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara a moeda a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com baixa de 0,16%, aos 102.028 pontos. Por dentro dos mercados Receba gratuitamente as newsletters do Money Times OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários. O que movimentou o dólar hoje? O câmbio ganhou força com mercado local à espera de novas sinalizações sobre as políticas fiscal e econômica do governo ‘Lula 4’. “Esse avanço do câmbio evidencia um movimento de saída de risco, refletindo não apenas as preocupações com o futuro das contas públicas no Brasil, mas também a influência direta de um cenário macroeconômico global que aponta para um aperto monetário prolongado”, afirmou Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad. Na mesma linha, Emerson Junior, head de câmbio e contas internacionais da Convexa Investimentos, avalia que “diante da falta de clareza sobre o comando da equipe econômica e a trajetória das contas públicas, o mercado projeta uma volatilidade elevada e prêmios de risco pressionados na curva de juros nos próximos pregões”. Com o sell-off dos ativos e disparada do dólar ante o real na última segunda-feira (26), com a virada e vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o mercado zerou as apostas de continuidade do ciclo de cortes na Selic. As Opções do Copom da B3, segundo a data de referência de terça-feira, apontam 60,9% de chance de o Banco Central manter os juros em 13,75% ao ano na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima semana. Nos Estados Unidos, os dados de inflação e crescimento não tiveram repercussão significativa no mercado de câmbio. O Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) subiu 0,5% em setembro, em linha com as expectativas. No acumulado do ano, a inflação preferida do Federal Reserve apontou para alta de 3,6% — acima da meta de 2% perseguida pelo banco central norte-americano. Já a primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2026 subiu a 3,4%, em taxa anualizada. O resultado representa uma aceleração em relação à expansão de 2,2% registrada no segundo trimestre. Por lá, o mercado precifica uma alta de 25 pontos-base pelo Fed na próxima decisão, em dezembro. Perto do fechamento, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 77,9% de chance de elevação nos juros, contra a probabilidade de 22,1% de manutenção. Na véspera, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc) manteve os juros na faixa de 3,75% a 4,00%, em uma decisão não unânime.
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