Após quatro décadas de desinvestimento, bancos centrais iniciaram uma fase de acumulação de ouro a partir de 2011, revertendo a tendência observada desde o fechamento da 'janela do ouro' em 1971. Essa mudança foi catalisada pela preocupação com a dívida soberana dos EUA, evidenciada pela Lei de Controle Orçamentário de 2011 que elevou o teto da dívida em US$2,4 trilhões. O mecanismo econômico subjacente é a busca por diversificação de reservas e proteção contra a desvalorização de moedas fiduciárias e o risco de calote soberano, com o ouro atuando como um porto seguro. Consequentemente, ativos como o ouro físico (GLD, IAU) e mineradoras (NEM) se beneficiam da demanda institucional, enquanto o Bitcoin (BTC) ganha força como 'ouro digital'. Para o investidor brasileiro, essa tendência oferece um hedge contra a desvalorização do BRL através de ETFs de ouro como GOLD11. Historicamente, após o fim do padrão-ouro em 1971, o ouro disparou mais de 2.300% até 1980 devido à inflação e incerteza, um paralelo qualitativo à atual desconfiança nas moedas fiduciárias. Próximos debates sobre o teto da dívida ou dados de inflação persistente servirão como gatilhos, solidificando a visão de que a diversificação das reservas globais em direção ao ouro é uma tendência de médio prazo.
Nas próximas 8-12 semanas, a demanda por ouro (atualmente em US$4478.80) deve permanecer robusta, com GLD e NEM buscando novos picos se o DXY continuar enfraquecendo. O payroll de 4 de setembro e o FOMC de 16 de setembro podem atuar como gatilhos para volatilidade de curto prazo, mas a tendência de longo prazo de des-dolarização suporta o ouro.
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