As exportações brasileiras para os EUA registraram um aumento de 3,7% em junho de 2026, conforme dados da Secex, sendo a primeira alta desde a imposição de uma sobretaxa de 50% por Donald Trump em julho de 2025. O crescimento, apesar das tarifas, sugere que o realinhamento de cadeias de suprimentos e a demanda sustentada por certos produtos brasileiros superaram parcialmente o impacto inicial da barreira tarifária, impactando a competitividade e o fluxo de commodities e manufaturados. Ativos brasileiros exportadores para os EUA, como SUZB3 (papel e celulose), e EMBR3 (aeronaves e defesa), podem se beneficiar da retomada do fluxo comercial, enquanto empresas com maior exposição à Argentina ou à concorrência chinesa podem enfrentar desafios. A recuperação das exportações pode mitigar pressões sobre o BRL e o IBOV, sinalizando resiliência comercial frente a políticas protecionistas, embora a Selic permaneça sensível a choques externos e à balança comercial. Historicamente, a guerra comercial EUA-China em 2018-2019 levou a redirecionamentos de comércio, beneficiando exportadores alternativos em setores como soja e carne, com o Brasil, por exemplo, aumentando suas exportações agrícolas para a China em 20% em 2019. O próximo gatilho será a divulgação dos dados comerciais de julho de 2026 e possíveis declarações da Casa Branca sobre a política comercial com o Brasil e a China, monitorando a sustentabilidade dessa recuperação. No médio prazo, a continuidade do crescimento dependerá da estabilidade da política comercial americana e da capacidade brasileira de manter a competitividade, com cenários de otimismo se as tarifas forem amenizadas e de pessimismo se houver escalada protecionista.
Nas próximas 4-8 semanas, o mercado monitorará os dados de comércio exterior para julho e agosto de 2026 para confirmar a sustentabilidade da recuperação. Um sinal de desescalada nas tensões comerciais, como negociações formais ou a remoção de tarifas, atuaria como um gatilho para um otimismo mais pronunciado, enquanto novas declarações protecionistas poderiam reverter o sentimento.
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