O coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e presidente nacional do PT, Edinho Silva, disse nesta segunda-feira (19) que a estratégia da reta final antes do segundo turno é aprofundar a comparação de dois projetos distintos para o país, na tentativa de superar o senador Flávio Bolsonaro (PL). Durante debate na GloboNews, Edinho e o coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), expressaram divergências sobre temas como o legado do governo Jair Bolsonaro (PL), contas públicas e a tentativa de golpe de Estado julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Marinho fez críticas à atual gestão, afirmando que "Lula se comporta como um Robin Hood às avessas" e que o governo elabora o Orçamento com base em novas receitas, sem fazer cortes que seriam necessários e, segundo ele, serão implementados caso Flávio vença. Edinho negou que o governo "dê com uma mão para tirar com a outra" e ressaltou medidas como os projetos de tributação das altas rendas. Disse ainda que o governo Lula "pegou o país quebrado" e adotou medidas para recompor a renda das famílias. O coordenador da campanha do PL disse ainda que o governo Bolsonaro "se saiu extremamente bem na pandemia" em relação às contas públicas, dentro do contexto da época e na comparação com outros países. Em momentos distintos, comparou o atual momento à crise mais aguda do governo Dilma Rousseff (PT) e disse que o PT repete o discurso de "herança maldita" já usado no passado, porque "vive de narrativas". Edinho disse que Lula, se reeleito, avançará em uma proposta de ajuste fiscal que comece por uma reforma do Estado brasileiro, incluindo o Poder Judiciário. Pregou ainda uma reforma no modelo político-eleitoral, com uma revisão sobre as emendas ao Orçamento, que ele considerou estarem em patamar acima do razoável. Marinho, mais adiante, rebateu o coordenador do PT, afirmando que o partido pratica "oportunismo eleitoral" ao falar em reforma do Judiciário e tem "irresponsabilidade" com as contas públicas. O representante de Lula reafirmou discursos que o candidato tem levado a palanques e entrevistas, como a rejeição à ideia de que "os mais pobres paguem a conta" do ajuste fiscal. Edinho também usou o debate para vincular Flávio a "cortes de direitos", em linha com a estratégia que a campanha do PT tem explorado nos últimos dias, enquanto exaltou o fim da escala 6x1, creditando a medida a Lula. Segundo ele, o presidente simboliza uma agenda oposta e, ao contrário do adversário, apresenta um "projeto de futuro". Marinho procurou apontar o desgaste do PT no governo federal, dizendo que Lula e os apoiadores trabalham com "narrativas se sobrepondo à realidade" e que, diferentemente do que afirmam, o Brasil está com uma "população empobrecida, endividada e amedrontada". O senador também criticou o que chamou de "relação pouco republicana" do Executivo com "alguns membros" do Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu reformas "para que cada um dos Poderes exerça seu papel à luz da Constituição". O aliado de Lula também subiu o tom contra o grupo adversário ao declarar que o escândalo do Banco Master "nasceu" no governo Bolsonaro, assim como as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Edinho disse ainda que os dois esquemas foram desmontados no governo Lula. Os dois coordenadores também travaram embate sobre a trama golpista, após Edinho declarar que lideranças bolsonaristas não reconheceram o resultado da eleição de 2022 e tentaram um golpe de Estado no país e que, por isso, o PT faz um alerta sobre risco à democracia em caso de eleição de Flávio. "A democracia tem que ser algo intocável, algo que nós temos que cuidar com muito zelo o tempo todo. É evidente que quem tenta um golpe, quem afronta a democracia, não pode falar em democracia", disse o aliado de Lula. Marinho negou que tenha havido tentativa de golpe e disse que, "no momento oportuno", a situação será "esclarecida" à sociedade. "Golpe com moças, com mulheres, com crianças, sem armas, sem líderes? Então, se nós fizermos essa régua, todas as badernas que o PT fez na Praça dos Três Poderes e em outros lugares do Brasil podem ser tachadas de golpe. O presidente da República que estava em Orlando Bolsonaro, que entregou o comando das Forças Armadas ao atual presidente, esse é o golpista?", disse o senador do PL. Meta Durante debate, Edinho Silva disse que a Meta "prejudicou muito" a campanha do presidente da República ao restringir a veiculação de conteúdo do candidato nas redes sociais controladas por ela. Já Marinho negou que o núcleo bolsonarista tenha qualquer relação com a desigualdade de tratamento das campanhas pela empresa. "Nós pedimos ao TSE Tribunal Superior Eleitoral uma regulamentação em relação à Meta. A Meta prejudicou muito a campanha do presidente Lula, inclusive restringindo os nossos conteúdos e liberando conteúdos do nosso adversário. A própria Meta reconheceu isso quando nós pedimos a intervenção do TSE", declarou Edinho em debate promovido pela GloboNews com os coordenadores das campanhas presidenciais. "A sua inteligência artificial da Meta, e isso foi público, manipulava a produção de conteúdo favorecendo o nosso adversário. Nós pedimos ao TSE, primeiro, que garantisse o direito que a nossa campanha concorresse de forma igualitária. Não queremos privilégios, nós queremos concorrer de forma igualitária", explicou o dirigente petista. Edinho, em seguida, reconheceu ser difícil enfrentar os interesses da empresa de tecnologia americana e defendeu a regulamentação das big techs no Brasil. Para ele, "não dá para a meta assumir um lado na disputa presidencial do Brasil". "O que não dá para a gente enfrentar a Meta, que é uma empresa norte-americana, que tem interesses comerciais no Brasil, que não quer que as big techs sejam reguladas. Queremos que os adolescentes, que as nossas crianças sejam protegidas. Nós não queremos conteúdos pornográficos nas redes, nós não queremos conteúdos de violência nas redes, nós não queremos incentivar a violência, o ódio. Tudo isso nós queremos com a regulação das big techs", manifestou o coordenador da campanha de Lula. Nesta segunda-feira (19), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu 24 horas para a Meta comprovar ter tomado medidas para garantir a igualdade entre as campanhas de Flávio e de Lula. Além disso, nesta tarde, manifestantes ligados ao petista protestaram contra a empresa na frente da sede dela em São Paulo. Marinho, por sua vez, disse que a campanha de Flávio não fez qualquer pedido de favorecimento nas redes sociais à Meta. Ele também alegou defender a "paridade de armas" na disputa eleitoral. "Quando você fala de Meta, é importante colocar que nós preconizamos a liberdade de expressão, a paridade de armas. Em nenhum momento nós pedimos ou queremos que haja nenhuma preferência por quem quer que seja no processo eleitoral", destacou o líder da oposição no Senado. "A calúnia, a difamação, a injúria e as próprias resoluções do TSE que dão a velocidade adequada. Se a Meta ou qualquer outra plataforma de comunicação favorece essa ou aquela campanha, nós repudiamos fortemente", completou Marinho. O senador também acusou o governo de Lula de restringir a liberdade de expressão por meio da atuação da Advocacia-Geral da União (AGU) para a derrubada de conteúdos que, segundo o bolsonarista, estariam desagradando a gestão petista. Edinho prontamente reagiu à afirmação de Marinho, ressaltando que "propagar mentira não significa liberdade de expressão, significa crime".
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