Bradesco projeta consumo fraco em 2027 apesar de programas sociais

O Bradesco projeta um crescimento fraco do consumo em 2027, desconsiderando o impacto de medidas governamentais como o reajuste do Bolsa Família e um novo programa de perdão de dívidas. O mecanismo econômico por trás dessa avaliação reside na persistência de juros elevados, o alto endividamento das famílias e a inflação que ainda pressiona a renda disponível, limitando a eficácia desses estímulos. Historicamente, programas de estímulo ao consumo em cenários de alta inflação e endividamento, como o observado no Brasil em 2014-2016, resultaram em crescimento econômico limitado e recessão, com o PIB contraindo mais de 3% em 2015 e 2016. A divulgação de dados de varejo e crédito nos próximos trimestres, e a formalização do programa de perdão de dívidas, serão cruciais para reavaliar essa projeção. No médio prazo, a visão de consumo fraco sugere um ambiente desafiador para empresas focadas no mercado interno, com recuperação dependente de uma queda mais acentuada dos juros e descompressão da alavancagem familiar.

Análise

Nos próximos 6 a 12 meses, espera-se que o consumo doméstico brasileiro permaneça sob pressão, com o varejo e os bancos enfrentando ventos contrários. O gatilho para uma mudança de perspectiva seria uma desinflação mais rápida que permitisse cortes mais agressivos da Selic, ou uma implementação de programas sociais com impacto superior ao previsto pelo mercado.

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