BTG alerta sobre riscos de elevação da meta de inflação

A equipe de pesquisa macroeconômica do BTG Pactual, sob a liderança de Tiago Berriel, publicou um levantamento histórico sobre países que aumentaram suas metas de inflação. O estudo cita o Uruguai, que em 2013 ampliou a faixa de tolerância de 4%‑6% para 3%‑7% e estendeu o horizonte de 18 para 24 meses, mantendo o centro da meta em 5%. Entre 2013 e 2021, a inflação média ficou em 8,3% e a expectativa de 24 meses entre 7% e 8,5%, acima do objetivo de 5%. A reancoragem ocorreu apenas a partir de 2020, com a taxa de juros real tornando‑se positiva e a inflação caindo para 3,65% em 2025. O caso argentino, em 2017, elevou as metas de 2018 para 10%‑15% e de 2019 para 5%‑10%, mantendo a meta de 2020 em 5%. O BCRA reduziu a taxa em 1,5 ponto percentual e, conforme o estudo, o mercado interpretou a mudança como relaxamento da política, elevando as expectativas de inflação (mediana de 17,4%‑19,4% em janeiro de 2018, 22,0% em abril e 30,0% em junho) e depreciando o peso 2,3% em cinco dias úteis, com queda de 51% em seis meses. O documento conclui que elevações de meta só preservam a âncora quando são excepcionais, transparentes, com trajetória de volta e acompanhadas de aperto fiscal e monetário.

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