O Bradesco revisou sua projeção para a taxa Selic no fim de 2026 para 13,75%, um aumento de 100 pontos-base em relação à estimativa anterior de 12,75%. Esta mudança reflete uma percepção de piora no cenário inflacionário brasileiro, sugerindo que o Banco Central manterá uma política monetária mais restritiva por mais tempo. Tal postura impacta diretamente o custo de capital para empresas e consumidores, reduzindo a liquidez no mercado de crédito e tornando a renda fixa mais atrativa. Consequentemente, ativos de risco como ações de varejo e construção (MGLU3, CYRE3) são pressionados negativamente, enquanto bancos (ITUB4, BBAS3) tendem a se beneficiar de spreads maiores. Para o investidor brasileiro, o cenário implica menor crescimento econômico, mas potencial valorização do BRL, atraindo fluxos de carry trade. Um paralelo histórico pode ser traçado com 2015, quando a Selic atingiu 14,25% e o Ibovespa registrou uma queda de aproximadamente 13,3% no ano. Os próximos dados de inflação (IPCA) e as reuniões do Copom serão cruciais para reavaliar o horizonte de médio prazo, que aponta para um custo de capital persistentemente elevado.
Nas próximas 4-8 semanas, o mercado deve precificar a nova curva de juros, com pressão de queda sobre o IBOV (potencialmente -3% a -5%) e valorização de títulos de renda fixa. Um IPCA abaixo do esperado ou uma sinalização mais dovish do Copom seriam os principais gatilhos para uma reversão do cenário e uma possível recuperação dos ativos de risco.
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