Crédito imobiliário nos EUA: alta de juros reconfigura mercado

Em setembro, o Federal Reserve elevou a taxa básica pela primeira vez em três anos para a faixa de 3,75%–4,00%, sinalizando que a inflação deve permanecer elevada por mais tempo do que o mercado esperava. O ajuste de regime tem efeitos diretos sobre o crédito privado de operações de reforma e revenda de imóveis, conhecidas nos EUA como "fix & flip". Nessa estratégia, investidores compram imóveis deteriorados, reformam em 6 a 18 meses e revendem por um valor superior ao custo total. O financiamento costuma ser fornecido por "hard money loan" ou "residential transitional loan" (RTL), estruturado em duas partes: desembolso inicial para aquisição e uma segunda parcela, chamada construction holdback, liberada gradualmente conforme a obra avança. O credor ocupa posição sênior garantida pelo imóvel. Dois diagnósticos coexistem nos EUA: escassez estrutural de moradias – a Goldman Sachs estima que seriam necessárias de 3 a 4 milhões de casas adicionais – e demanda de curto prazo enfraquecida, com vendas de imóveis existentes ainda sem recuperação desde 2023 e queda de 7% nas unidades unifamiliares. Esse hiato cria espaço para crescimento do crédito privado.

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