Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os agentes econômicos revisaram suas projeções para a taxa de juros no Brasil, resultando em uma semana de intensa volatilidade no mercado. A Bolsa de Valores registrou a pior queda semanal desde março de 2020, o dólar valorizou-se e os juros futuros dispararam. Neste cenário, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nesta quarta-feira (4) para definir o novo rumo da Selic, confrontado com a possibilidade de o ciclo de cortes ser interrompido com a taxa em 13,75% ao ano, uma hipótese que parecia distante antes do segundo turno. Guilherme Ghidetti, sócio e CIO da Jera Capital, destacou que a reunião ganhou peso por ser a primeira decisão relevante de política econômica após a eleição, em um momento de alta incerteza sobre a política fiscal. O Ibovespa acionou o circuit breaker na segunda-feira (26) e encerrou outubro com o pior desempenho mensal desde junho de 2022. No Tesouro Direto, os títulos prefixados registraram a maior alta diária de taxas desde 2005. Segundo Gabriel Magno, da AW Capital, a reação reflete a quebra de expectativa do mercado por maior controle de gastos. Nas opções de Copom na B3, a probabilidade de manutenção da Selic atingiu 70% no fechamento de quinta-feira (29), contra 30% de chance de um corte de 0,25 ponto percentual.
A decisão do Copom sobre a taxa Selic, aguardada para esta quarta-feira (4), definirá a trajetória dos juros brasileiros e o tom da política monetária. O comunicado que acompanhará a decisão será crucial para entender a avaliação do Banco Central sobre os riscos fiscais e inflacionários pós-eleição. A sinalização sobre a continuidade ou interrupção do ciclo de flexibilização monetária influenciará diretamente a precificação de ativos e as expectativas de mercado.
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