As ações da Alphabet, dona do Google, despencaram 13% nesta quinta-feira, 29, 2026, apagando cerca de US$ 500 bilhões em valor de mercado, superando o recorde de queda de 11,63% registrado em março de 2020. O tombo veio após a divulgação do balanço do 3º trimestre, na noite de quarta-feira, 28, 2026. A Alphabet reportou fluxo de caixa livre negativo de US$ 9,07 bilhões, mais de três vezes o rombo de US$ 2,7 bilhões projetado pelos analistas, e manteve a previsão de investimentos para 2026 entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões. A maior fonte de receita, a publicidade em buscas, cresceu 12% no trimestre, para US$ 63,35 bilhões, mas ficou abaixo das estimativas pela segunda vez seguida, após altas de 19% no 1º trimestre e 17% no segundo. No balanço do 1º trimestre, as ações haviam disparado 6% com lucro acima do consenso. Philipp Schindler, diretor de negócios da Alphabet, atribuiu parte do resultado da busca à monetização mais baixa do AI Mode, o modo de pesquisa conversacional do Google, e afirmou que a empresa está ampliando anúncios dentro do AI Mode e dos AI Overviews. A companhia apontou o câmbio como o fator que mais pesou na desaceleração da busca. Analistas do UBS escreveram que os resultados trazem temores de canibalização da busca. Jordan Klein, estrategista da mesa de operações de tecnologia e mídia do Mizuho, estendeu a preocupação ao YouTube. Gil Luria, analista da D.A. Davidson, disse que os investidores tendem a interpretar a frustração como sinal de que a IA finalmente chegou para o Google. Leandro Guissoni, professor associado da FGV, e Ben Barringer, chefe global de pesquisa em tecnologia da Quilter Cheviot, comentaram sobre o dilema de inovação enfrentado pela Alphabet.
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