Maioria dos americanos não acreditam que Trump aceitará derrota republicana nas eleições

Sete em cada dez americanos não confiam que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitará o resultado das eleições legislativas de novembro caso o Partido Republicano seja derrotado, mostrou uma pesquisa conjunta do Washington Post, da ABC News e da Ipsos. Leia também: Trump promete gastar US$ 400 mi em campanha eleitoral republicana Trump diz que EUA vão 'queimar' como a França se democratas vencerem eleições Aprovação de Trump cai para mínima histórica às vésperas das eleições legislativas O levantamento revela, por outro lado, que a maioria dos eleitores está confiante de que a votação será realizada de maneira justa e que os votos serão contabilizados corretamente, apesar das profundas dúvidas sobre a disposição do presidente em reconhecer uma eventual vitória democrata. A desconfiança sobre o chefe da Casa Branca não se limita aos seus adversários políticos e críticos. Entre os próprios republicanos, 36% afirmam não confiar que o presidente aceitará uma derrota do partido. O percentual sobe para 77% entre os independentes e chega a 94% entre os democratas. Apesar da maior divisão sobre o comportamento de Trump, eleitores dos dois principais partidos têm visões semelhantes sobre a integridade do processo eleitoral. Segundo a pesquisa, 70% dos democratas e 67% dos republicanos dizem confiar que as eleições serão justas e precisas. Os resultados surgem às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato de 3 de novembro, que definirão o controle da Câmara dos Deputados e do Senado e representarão um teste importante para o governo Trump na segunda metade de seu mandato. Apesar das constantes acusações de fraude eleitoral proferidas por Trump, maioria dos americanos confiam na lisura do processo eleitoral AP/Matt Ramey Trump tem um longo histórico de questionamentos à legitimidade das eleições americanas, especialmente desde sua derrota para Joe Biden em 2020. Na ocasião, Trump se recusou a reconhecer o resultado e passou a disseminar alegações falsas de fraude eleitoral, apesar da ausência de evidências de irregularidades generalizadas. Em fevereiro deste ano, questionado pela NBC News se confiaria nos resultados das eleições legislativas caso os republicanos perdessem o controle do Congresso, Trump respondeu: "Confiarei se as eleições forem honestas." Pela Constituição americana, a organização das eleições cabe aos Estados, e o presidente não exerce controle direto sobre sua realização. Ainda assim, Trump tem defendido mudanças que ampliariam a influência do governo federal sobre o processo eleitoral. O mandatário republicano já afirmou que gostaria de "nacionalizar a votação" e "assumir o controle" das eleições. Em entrevista ao New York Times em janeiro, disse lamentar não ter enviado tropas para apreender urnas eletrônicas após sua derrota em 2020. Além disso, desde seu retorno à Casa Branca, Trump adotou medidas para modificar o funcionamento do sistema eleitoral. Seu governo enfraqueceu órgãos federais encarregados de proteger as eleições e tentou impor restrições ao voto pelo correio, posteriormente bloqueadas pela Suprema Corte. Nesse contexto, autoridades eleitorais locais disseram ao Washington Post nas últimas semanas que estão se preparando para a possibilidade de apreensão de cédulas e da presença de agentes federais nos locais de votação. Apesar dessas iniciativas e da retórica presidencial agressiva em relação ao pleito, a confiança dos americanos na integridade do processo eleitoral permanece relativamente elevada. De acordo com o levantamento, seis em cada dez entrevistados dizem estar muito ou razoavelmente confiantes de que as eleições legislativas serão realizadas de maneira justa. Entre os independentes, porém, a população está mais dividida: 51% expressam confiança, enquanto 47% demonstram desconfiança. 65% dos americanos dizem confiar que os votos serão contabilizados corretamente, percentual praticamente inalterado em relação aos 66% registrados pouco antes das eleições legislativas de 2022, conforme uma pesquisa Washington Post-ABC News realizada na época. Os democratas demonstram mais confiança do que os republicanos no levantamento mais recente, com 76% contra 68%, respectivamente. Entre os independentes, 55% estão confiantes. A percepção dos eleitores republicanos, no entanto, mudou significativamente desde a eleição presidencial de 2024. Naquele momento, apenas 49% dos simpatizantes do partido confiavam que os votos seriam contabilizados corretamente, mostrou uma pesquisa ABC News-Ipsos publicada na ocasião. O cenário mudou após a vitória de Trump, quando praticamente todos os republicanos passaram a considerar legítimo o resultado da eleição, enquanto 77% afirmaram que não havia evidências sólidas de fraude eleitoral, segundo outro levantamento do Washington Post, realizado em parceria com a Universidade de Maryland. A pesquisa mais recente também indica que uma parcela maior dos americanos espera que os democratas conquistem o controle da Câmara dos Deputados do que que os republicanos mantenham a maioria. Ao todo, 35% dos entrevistados acreditam que os democratas vencerão a disputa pela Casa, enquanto apenas 16% preveem a manutenção do controle republicano. Outros 28% consideram a eleição indefinida, e 21% não souberam responder. Soma-se a isso o fato de que 61% dos eleitores entrevistados afirmaram estar muito ou razoavelmente confiantes de que os líderes do Partido Democrata aceitariam uma derrota eleitoral. O percentual chega a 88% entre os democratas, mas cai para 36% entre os republicanos. Entre os independentes, 58% acreditam que a liderança democrata reconheceria um resultado desfavorável. A pesquisa Post-ABC-Ipsos foi realizada entre 9 e 13 de outubro, pela internet, com 2.545 adultos americanos de todo o país. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Para as perguntas sobre a percepção de lisura das eleições, feitas a aproximadamente metade dos entrevistados, a margem de erro é de 2,8 pontos percentuais. Maioria do eleitorado americano acredita que os democratas conquistarão o controle da Câmara dos Deputados dos EUA nas eleições de 3 de novembro Reuters/Nathan Howard

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