Super El Niño impacta planejamento e resultados do agronegócio brasileiro

A Capital Reset reportou que o Super El Niño, caracterizado por temperaturas da superfície do Pacífico equatorial 3,3°C acima da média em meados de outubro, é um fenômeno de possível intensidade histórica previsto entre outubro e o início de 2027. Este cenário climático foi tema em 60 teleconferências de resultados de 35 empresas de capital aberto, principalmente no setor agro e sua cadeia, incluindo produtores rurais, usinas, frigoríficos, bancos, seguradoras, operadoras logísticas e fabricantes de celulose. No Brasil, o El Niño aumenta o risco de seca no Centro-Norte, como no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), e de chuvas intensas no Sul. A SLC Agrícola (SLCE3), maior operadora de terras agrícolas do país, perdeu 20% da produção no El Niño de 2016, com uma perda efetiva de 15% após economizar 5% em insumos. Para 2027, a empresa, que possui mais de 850 mil hectares de soja, milho e algodão no Centro-Oeste e Matopiba, espera perdas "bem menores" devido a investimentos em resiliência, como 25 mil hectares irrigados e 100% de suas áreas corrigidas. A BrasilAgro (AGRO3) reviu seu plano de plantio, destinando algodão apenas a áreas irrigadas e usando plantas de cobertura onde a soja não seria viável comercialmente. No setor sucroenergético, o Bank of America (BofA) indicou que o El Niño de 2015/16 causou a perda de mais de 50 dias de moagem no Centro-Sul. A Raízen (RAIZ4) já atribuiu ao fenômeno o excesso de chuva que interrompeu a colheita e reduziu a moagem. Felipe Vicchiato, CFO da São Martinho (SMTO3), previu um "ATR bem menor" (menor teor de açúcar por tonelada de cana) se as chuvas fortes se confirmarem. No entanto, o fenômeno também pode sustentar os preços das commodities, com a Jalles e a BrasilAgro citando quebras de safra de cana na Índia e na Tailândia.

Análise

O desfecho dependerá da intensidade e duração do Super El Niño, que as estimativas apontam para um fenômeno de possível intensidade histórica entre outubro e o início de 2027. Será crucial monitorar os relatórios meteorológicos sobre os padrões de chuva e seca nas regiões agrícolas brasileiras e em outros grandes produtores globais, bem como os impactos no plantio da soja e na moagem da cana. Acompanhar os balanços do primeiro e segundo trimestres de 2027 das empresas do setor trará dados concretos sobre as perdas e a efetividade das estratégias de mitigação.

CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real