Inflação de IA 'saindo da linha', diz Goolsbee do Fed

Austan Goolsbee, presidente do Federal Reserve de Chicago, declarou em entrevista ao site Semafor na terça-feira (13 de outubro) que a inflação impulsionada pelo 'boom' da inteligência artificial está 'saindo da linha' e começando a elevar os preços em setores da economia que não têm relação direta com IA. Ele enfatizou que é necessário haver algum progresso na inflação para que o banco central dos Estados Unidos possa retomar a trajetória de corte das taxas de juros. Esta percepção de inflação persistente, agora com uma nova fonte ligada à IA, reforça a postura cautelosa do Fed, sugerindo que o ciclo de flexibilização monetária pode ser atrasado ou que as taxas de juros podem permanecer elevadas por mais tempo. Empresas de tecnologia e crescimento, especialmente as ligadas à IA como NVIDIA, Microsoft e Alphabet, podem enfrentar um ambiente de valuation mais desafiador devido a taxas de juros mais altas. A declaração de Goolsbee reflete uma preocupação crescente dentro do Fed sobre a sustentabilidade da desinflação, mesmo com novos motores de preço emergindo. Historicamente, booms tecnológicos como o das 'dot-com' no final dos anos 1990 também geraram pressões inflacionárias, levando o Fed a aumentar juros e resultando na queda do Nasdaq em cerca de 75% de seu pico em 2000-2001. Os próximos dados de inflação ao consumidor dos EUA (CPI) em 2026-10-14 e a decisão de juros do FOMC em 2026-10-28 serão cruciais para a reavaliação das expectativas do mercado. O desfecho dependerá da evolução real dos índices de inflação, da persistência dos efeitos da IA sobre os preços e da comunicação futura do Fed, que pode sinalizar uma postura mais ou menos agressiva.

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