O volume de serviços no Brasil avançou apenas 0,4% no segundo trimestre de 2026, com estabilidade em junho, indicando uma perda de ritmo significativa na economia. Essa desaceleração é um reflexo direto do crédito caro e do contínuo aperto monetário implementado para combater uma inflação ainda persistente. A fraqueza do setor impacta negativamente empresas de consumo discricionário, como MGLU3 e LREN3, e construtoras como CYRE3 e MRVE3, que dependem de crédito e demanda. Para o investidor brasileiro, o cenário aponta para uma manutenção da Selic em patamar elevado por mais tempo, pressionando o IBOV e o câmbio (USDBRL) em meio à busca por ativos de menor risco. Similarmente, a desaceleração de serviços vista em 2015-2016, quando a Selic atingiu 14,25%, levou a uma contração do PIB e forte queda em ações de consumo e imobiliárias. O próximo gatilho a monitorar é a divulgação do IPCA de agosto, que poderá influenciar a postura do Banco Central quanto à taxa de juros. No médio prazo, a persistência da inflação e a fraqueza da atividade podem levar a um cenário de estagflação, prolongando a aversão ao risco e a dificuldade de recuperação dos setores mais sensíveis aos juros.
Nas próximas 4-8 semanas, o mercado deve precificar uma maior probabilidade de juros altos prolongados. Se o IPCA de agosto vier acima do esperado, a aversão ao risco pode se intensificar, pressionando ainda mais o IBOV e o real, com setores de consumo e construção sendo os mais afetados por quedas adicionais de 5-10%.
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