A dívida de cartão de crédito nos Estados Unidos atingiu um recorde de US$1,252 trilhão no primeiro trimestre de 2026, de acordo com o relatório trimestral do Federal Reserve Bank de Nova York, divulgado em 12 de maio. Este volume recorde indica uma crescente pressão sobre o consumidor americano, que utiliza o crédito para preencher a lacuna entre renda e despesas, sinalizando fragilidade na capacidade de pagamento e potencial desaceleração do consumo. O impacto direto recai sobre instituições financeiras como JPM, BAC e DFS, que podem enfrentar aumento nas provisões para perdas com empréstimos, e empresas de consumo discricionário como HD e AMZN, com possível queda na demanda. Para o investidor brasileiro, a desaceleração do consumo nos EUA pode gerar aversão global ao risco, impactando negativamente o IBOV e o BRL, além de afetar exportadoras brasileiras para o mercado americano. Em 2008-2009, durante a crise financeira, as taxas de inadimplência de cartões de crédito nos EUA superaram 10%, resultando em bilhões em perdas para o setor bancário e uma retração significativa do crédito. Os próximos dados a monitorar incluem o relatório de endividamento do segundo trimestre de 2026 do Fed de Nova York e os resultados de bancos americanos, esperados para julho, que detalharão as provisões para perdas. No médio prazo (6-12 meses), a sustentação ou aceleração dessa tendência pode levar a um aperto nas condições de crédito, impactando o crescimento econômico e forçando um reajuste nas expectativas de juros pelo Fed.
Nos próximos 3-6 meses, espera-se que os bancos americanos reportem aumento nas provisões para perdas de crédito em seus balanços do segundo e terceiro trimestres de 2026, com os resultados de julho sendo o primeiro gatilho. Se as taxas de inadimplência continuarem a subir, poderemos ver uma contração do crédito ao consumidor e uma desaceleração ainda maior no varejo, com o Fed potencialmente reavaliando sua política monetária para mitigar riscos à estabilidade financeira.
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