Bilionário americano lidera plano de troca de títulos para comprar ativos da russa Lukoil no exterior, dizem fontes

Um consórcio liderado pelo bilionário americano Todd Boehly está preparando uma troca de títulos para adquirir os ativos internacionais da petrolífera russa Lukoil, alvo de sanções, e um acordo é esperado dentro de algumas semanas, disseram quatro pessoas próximas ao processo de venda. Um banco que atua em nome do consórcio comprou bilhões de dólares em títulos congelados da Lukoil de fundos de investimento ocidentais para trocá-los pelos ativos da companhia no exterior, disseram três das fontes. As fontes pediram anonimato porque não estão autorizadas a discutir o assunto publicamente. Se concluída, a transação encerraria um processo de venda que se arrasta há mais de um ano e no qual a carteira de ativos envolvida foi inicialmente avaliada em US$ 22 bilhões. Os ativos da Lukoil no exterior incluem campos de petróleo, refinarias e postos de combustíveis na Europa, no Oriente Médio e na África. O valor da carteira caiu porque alguns ativos deixaram de operar, disseram duas fontes. Um acordo também colocaria à prova a capacidade das sanções ocidentais de obrigar uma grande empresa russa a se desfazer de ativos internacionais, mantendo operações petrolíferas estratégicas e limitando os ganhos financeiros de Moscou. O consórcio inclui Boehly, empresário radicado em Miami que detém participações nos times de Los Angeles Dodgers e Lakers, e a International Holding Company (IHC) e a Al Hail Holding, ambas empresas de investimentos dos Emirados Árabes Unidos. Os irmãos sírio-catarianos Al-Khayat e a Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (DFC) também apoiam a oferta. Representantes de Boehly não responderam a vários pedidos de comentário. Um porta-voz da IHC disse que a empresa não comenta possíveis investimentos. A Al Hail, os irmãos Al-Khayat e a DFC não responderam aos pedidos de comentário. A Lukoil não respondeu de imediato a um pedido de comentário. O plano prevê uma operação sem desembolso de dinheiro, na qual títulos congelados da Lukoil detidos por investidores ocidentais, incluindo a Capital Group, seriam trocados pelos ativos internacionais da petrolífera, disseram as fontes. A Capital Group não quis comentar. Oferta inicial rejeitada O processo de venda começou após a imposição de sanções americanas à Lukoil, em outubro de 2025. A Reuters informou em fevereiro que os Estados Unidos haviam desacelerado a venda, em parte para pressionar a Rússia nas negociações para encerrar a guerra na Ucrânia. Em dezembro passado, o Tesouro dos Estados Unidos rejeitou uma oferta de um grupo que incluía o banco americano Xtellus Partners, afirmando que a Lukoil não deveria receber ganhos extraordinários com a venda, em ações ou dinheiro. O consórcio liderado por Boehly conseguiu avançar ao prometer depositar as ações em uma conta de garantia, em vez de transferi-las diretamente à Lukoil, disseram duas fontes. O Tesouro dos Estados Unidos não respondeu a pedidos de comentário. Mais de uma dúzia de empresas apresentaram propostas pelos ativos da Lukoil, incluindo as gigantes petrolíferas Exxon Mobil e Chevron, a gestora americana de private equity Carlyle e o ex-proprietário do Pornhub Bernd Bergmair, informou a Reuters em novembro do ano passado. A Carlyle desistiu da disputa no mês passado, deixando o consórcio de Boehly na liderança. Títulos da Lukoil comprados de fundos americanos e britânicos O banco que atua em nome do consórcio comprou títulos da Lukoil de cerca de dez fundos de investimento americanos e britânicos, além de bancos depositários americanos que os mantinham em nome de investidores de varejo, disseram duas das fontes. As ações foram negociadas a US$ 0,30, disseram as outras duas fontes, um desconto expressivo que refletia as sanções às quais estão sujeitas. Fundos de investimento ocidentais detinham grandes posições em ações da Lukoil antes da invasão russa da Ucrânia, em 2022. Posteriormente, os papéis foram excluídos dos principais índices de mercados emergentes e, desde então, estão congelados e tiveram seu valor contábil reduzido pelos fundos ocidentais. Lukoil Bloomberg

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