Na entrevista concedida ao Valor Econômico, Fernando Honorato, economista‑chefe do Bradesco, analisou o comunicado recente do Banco Central (BC) e do Comitê de Política Monetária (Copom). Ele destacou que o BC buscou equilibrar choques de oferta, a deterioração das expectativas e a desaceleração econômica, mantendo a Selic em um patamar substancialmente contracionista. Honorato apontou que a projeção de inflação para 2027, baseada na Selic extraída do Focus, fica em 12,5 %, e que, se a taxa ficar entre 12,5 % e 13,75 %, a projeção de inflação cairá, mantendo a meta. Assim, o valor de 13,75 % é considerado consistente com a convergência. O economista sugeriu que a falta de apoio fiscal pode levar a um cenário de inflação alta, juros altos e economia fraca, enquanto sinais positivos de política fiscal e estabilidade cambial poderiam permitir cortes de juros a partir do segundo semestre de 2027.
A definição do desfecho dependerá da capacidade do governo federal de apresentar medidas fiscais que reduzam a incerteza e estabilizem o câmbio, com os primeiros indicadores de política fiscal e evolução do dólar sendo divulgados nos relatórios de inflação (IPCA) e nas atas do Copom ao longo de 2027, especialmente nas reuniões de junho e setembro.
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