A Alphabet (GOGL34), dona do Google, reportou lucro por ação ajustado de US$ 2,12 no terceiro trimestre de 2026 (3T26), quase 30% abaixo do esperado pela XP (US$ 2,99). O período foi marcado por um crescimento da receita de 25% na comparação anual (US$ 127,6 bilhões) e por um forte crescimento do Google Cloud, mas também por uma geração de caixa negativa pelo segundo trimestre consecutivo em meio ao ciclo forte de investimentos em inteligência artificial (IA). Um trimestre negativo para Alphabet No período, a companhia apresentou um fluxo de caixa livre (FCF, na sigla em inglês) negativo em US$ 9,1 bilhões, enquanto o fluxo de caixa operacional veio cerca de US$ 10 bilhões abaixo das estimativas da XP. Vale lembrar que, em resumo, o fluxo de caixa operacional é um indicador de sustentabilidade financeira dos negócios, enquanto o FCF mede o quanto de dinheiro está disponível para pagar dividendos, amortizar dívidas ou expandir a empresa. O capex da Alphabet saltou 114% na comparação anual, para US$ 51,4 bilhões, consumindo boa parte do caixa gerado. Além disso, a Alphabet também recorreu ao mercado de capitais, capitando recursos por meio da emissão de ações e títulos de dívida, elevando o saldo dos passivos de longo prazo para US$ 125,1 bilhões. Ainda, o Google Search, YouTube Ads e Assinaturas apresentaram desempenho abaixo das expectativas. Apesar disso, para a XP, esse resultado foi parcialmente compensado pela continuidade do expressivo crescimento do segmento de Cloud. A alta foi liderada pela Google Cloud Platform (GCP) e as vendas de sistemas de chips de IA desenvolvidos pela própria empresa. Já o Google Services gerou US$ 96,3 bilhões em receita, alta de 11% na comparação anual. O Google Search, principal negócio da companhia, cresceu 12% e atingiu US$ 63,4 bilhões em faturamento. Ao mesmo tempo, o Gemini ultrapassou a marca de 1 bilhão de usuários mensais, enquanto os modelos da companhia já processam cerca de 32 bilhões de tokens por minuto. Hora de comprar as ações da Alphabet? Apesar da decepção com o caixa e com o lucro, XP e Empiricus acreditam que a Alphabet é uma das principais vencedoras da corrida global por inteligência artificial. Para a XP, a companhia continua bem posicionada para capturar a demanda por infraestrutura de IA. Entretanto, o mercado deve monitorar com mais atenção a capacidade de transformar o atual ciclo de investimentos em geração de caixa. Já a Empiricus destaca que os fundamentos operacionais seguem fortes, com crescimento acelerado do Cloud, expansão de margens e resiliência do Search, ainda que o maior ciclo de investimentos da história da empresa continue pesando sobre os resultados financeiros no curto prazo. *Sob supervisão de Renan Sousa.
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