Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de abril, divulgados em 30 de junho, evidenciam que o mercado de trabalho brasileiro iniciou o processo de sentir os efeitos da política monetária contracionista do Banco Central. João Mário de França, pesquisador do FGV Ibre, avalia que o saldo positivo do mês camufla um desempenho fraco em comparação com o mesmo período do ano anterior. A forte elevação da taxa Selic pelo BC, visando convergir a inflação para a meta, encarece o crédito e desestimula investimentos e consumo, levando empresas a postergar contratações ou reduzir quadros. A desaceleração do emprego, embora negativa para o crescimento econômico, pode sinalizar maior probabilidade de futuros cortes na Selic, beneficiando ativos de maior duration e sensíveis a juros, como Fundos Imobiliários e empresas de varejo. Historicamente, ciclos de aperto monetário agressivos no Brasil, como em 2015, resultaram em desaceleração acentuada do emprego, seguida por recuperação após o início dos cortes de juros. O próximo dado a monitorar será o IPCA e a ata da próxima reunião do Copom, que fornecerão mais pistas sobre a trajetória da inflação e os próximos passos da política monetária.
Nas próximas 4-8 semanas, o mercado deve reagir com otimismo cauteloso, buscando sinais adicionais do Banco Central. Se a ata do Copom e o próximo IPCA confirmarem a tendência de desaceleração, o Ibovespa (BOVA11) poderá testar os 175.000-180.000 pontos, enquanto o Real (USDBRL) pode fortalecer para R$5,10. Um corte de juros mais agressivo pelo BC no final de julho seria o principal gatilho para uma aceleração do movimento de alta.
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