SLC Agrícola (SLCE3) registrou quedas de 2,96% na segunda-feira e 1% na sexta-feira, após confirmar o exercício do direito de preferência para adquirir terras da Radar por R$ 1,85 bilhão, a ser pago em duas etapas. O mercado reagiu negativamente à operação, com o Itaú BBA indicando que o valor da aquisição não oferece o mesmo desconto que as ações da SLCE3, levantando dúvidas sobre a atratividade da compra e a diluição de valor para os acionistas. Essa percepção de precificação desfavorável e o aumento do endividamento pressionam o valuation de SLCE3, que já vinha em downtrend significativo, e podem afetar negativamente o desempenho de outros pares do setor agrícola. Para o investidor brasileiro, a operação sinaliza um risco de deterioração do ROE e aumento da alavancagem, o que pode desvalorizar a SLCE3 na B3 e impactar o apetite por outras empresas do agronegócio. Em 2023, a aquisição de terras pela BrasilAgro (AGRO3) por valor acima do esperado também gerou pressão vendedora nas ações, evidenciando a sensibilidade do mercado à disciplina de capital em M&A no agronegócio. O próximo gatilho a monitorar será a divulgação dos resultados do próximo trimestre da SLC, que trará mais detalhes sobre a integração da aquisição e o impacto no balanço da companhia. No médio prazo, a capacidade da SLC de gerar sinergias e rentabilidade superior com as novas terras será crucial para reverter o sentimento negativo, com cenários de recuperação exigindo melhora substancial nas margens operacionais e redução do endividamento.
Nas próximas 4-6 semanas, a SLCE3 (R$22.04 hoje) deve permanecer sob pressão, podendo testar o suporte de R$20,00 se o mercado continuar a precificar a operação Radar negativamente e houver sinais de aumento de alavancagem. Uma recuperação dependerá de um guidance mais claro sobre a rentabilidade futura das terras e um plano de redução de dívida.
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