A análise da Eurasia Group destaca que o Brasil enfrentará um ajuste fiscal inevitável a partir de 2027, independentemente do resultado da eleição presidencial, dada a fragilidade das contas públicas. O mercado demonstra descrença em relação ao atual governo, o que gera ceticismo sobre a capacidade da futura equipe econômica em implementar medidas eficazes para controlar a dívida. A saúde fiscal é um fator determinante para a trajetória dos juros, influenciando diretamente o custo de capital e o apetite por risco. Uma percepção de ajuste insuficiente pode manter a Selic elevada, pressionando empresas endividadas e o consumo doméstico. Historicamente, períodos de descontrole fiscal, como o observado em 2015-2016, resultaram em forte depreciação cambial e Selic em dois dígitos. O gatilho principal a monitorar será a definição das propostas fiscais do governo eleito e a reação do mercado a elas. No médio prazo, a capacidade de implementar um ajuste fiscal robusto será crucial para determinar o patamar dos juros e o potencial de crescimento econômico do país.
Nas próximas 4-6 semanas, o mercado permanecerá em modo 'wait-and-see', com alta volatilidade no USDBRL e na curva de juros futura, enquanto aguarda sinais concretos sobre a composição da equipe econômica e as primeiras diretrizes fiscais. O principal gatilho será a divulgação de um plano fiscal detalhado, que poderá mudar drasticamente o cenário se for percebido como crível. Caso contrário, a pressão sobre ativos brasileiros deve se intensificar, com o Real podendo testar R$5,30-R$5,40.
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